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Bares mudam compra e inutilizam garrafas um ano após primeira morte por metanol

Medidas incluem fornecedor homologado, nota fiscal e treinamentos; relatório da CPI foi enviado ao Ministério Público

Redação POLITICA.SP12 de set. de 2026 · 01h056 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Bares mudam compra e inutilizam garrafas um ano após primeira morte por metanol
Reprodução: cbn.globo.com

Um ano após a primeira morte confirmada por metanol, bares passaram a comprar só de fornecedores homologados e inutilizar garrafas.

As mudanças visam evitar reutilização de vasilhames, exigem nota fiscal e geraram mais de 20 mil treinamentos na capital de São Paulo.

A primeira morte ocorreu em 16 de setembro de 2025: o empresário Ricardo Lopes Mira, 54 anos. Até o fim de 2025 houve 890 notificações, 73 casos confirmados e 22 mortes em todo o país; em São Paulo são 54 casos e 12 mortes.

Radharani Dasi Domingos tomou três caipirinhas na Avenida Paulista, ficou cinco dias em coma induzido, 15 dias internada, fez hemodiálise e perdeu a visão. Rafael Anjos Martins comprou gin num empório na zona sul, esteve cego no dia seguinte, recebeu fomepizol de Campinas mais de 12 horas depois e morreu 53 dias após ser socorrido.

A CPI do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo ouviu vítimas, familiares, donos de bar e representantes do setor por 11 meses e aprovou o relatório final em 1º de setembro; o texto foi encaminhado ao Ministério Público, ao Procon e às secretarias de Saúde.

Na esfera policial, foram 46 prisões, mais de 150 mil garrafas apreendidas e 100 mil destruídas. Investigações apontam grupos diferentes agindo separadamente; dona de fábrica clandestina em São Bernardo do Campo foi condenada a sete anos de prisão e, em abril, o Ministério Público pediu mais de R$1,5 milhão por dano à coletividade.

O Ministério da Saúde declarou o fim da crise em dezembro, distribuiu 1.500 ampolas de fomepizol, mais de 4.800 unidades de etanol farmacêutico e manteve reserva de 2.600 ampolas; ainda assim, só neste ano São Paulo confirmou quatro casos e duas mortes.

“Acho que por irresponsabilidade do bar e irresponsabilidade do Estado com a gente também”, disse Radharani sobre sua situação atual e a falta de fiscalização.

Toxicologista Álvaro Pulchinelli Jr. afirmou que as primeiras horas após o consumo são cruciais e que equipes agora suspeitam mais cedo de intoxicação por metanol, buscando sintomas visuais e sinais de acidose.

16 de setembro de 2025 — primeira morte confirmada

890 — notificações até o fim de 2025

73 — casos confirmados até o fim de 2025

22 — mortes no país até o fim de 2025

54 casos e 12 mortes — em São Paulo

46 — prisões desde o início da crise

150.000 — garrafas apreendidas

100.000 — garrafas destruídas

1.500 — ampolas de fomepizol distribuídas pelo Ministério da Saúde

Aprovado pela Câmara em outubro, o projeto que torna falsificação de bebidas crime hediondo segue no Senado sem data de votação.