Ben Gvir propõe expulsão de 2,3 milhões de palestinos de Gaza
Ministro israelense apresentou “pacote de absorção” com metas por ano e promessa de apoio financeiro aos países receptores

Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional e presidente do Otzma Yehudit, propôs expulsar 2,3 milhões de palestinos da Faixa de Gaza por meio de um “pacote de absorção”.
O plano prevê remover 250 mil habitantes no primeiro ano, 1,11 milhão em três anos e 1,86 milhão em sete anos, totalizando a limpeza étnica de 2,3 milhões.
Ben Gvir anunciou a proposta em conferência de apoiadores na quinta-feira (3) e disse que a emigração deve ser “voluntária”, incentivando os palestinos a “fazerem as malas”.
Ele quer criar um “Ministério da Emigração” e oferecer pacote de acolhimento com auxílio de viagens, moradia inicial, treinamento profissional, emprego e apoio por até 24 meses.
O plano inclui pagamentos aos países anfitriões calculados pelo número de habitantes de Gaza que receberem.
Desde outubro de 2023, as operações israelenses já deixaram oficialmente mais de 73.300 mortos e 174.592 feridos na população palestina, principalmente mulheres e crianças.
Em setembro, a Anistia Internacional registrou ao menos 15 ordens de confisco de terras próximas a Jenin, ligadas a 34 novos assentamentos aprovados pelo governo israelense este ano.
O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU contabilizou 925 obstáculos que restringem a circulação de 3,4 milhões de palestinos na Cisjordânia, 43% acima da média de 20 anos.
Nickolay Mladenov, nomeado em janeiro de 2026 Alto Representante para Gaza, alertou ao Conselho de Segurança que novas estradas de assentamentos fragmentam Jenin e minam a integridade geográfica e econômica da área.
“Em vez de ilusões de paz agora, precisamos de ações de emigração agora”, afirmou Ben Gvir ao defender o plano.
A proposta de Ben Gvir está sendo apresentada às vésperas das eleições gerais de 27 de outubro, quando a coligação tentará manter o controle do poder.