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Boi do Seu Teodoro corre risco: mulheres negras lutam por terra e verba

Grupo de Sobradinho (DF) — patrimônio imaterial desde 2004 — enfrenta cessão temporária, disputa com Terracap e cortes no FAC-DF

Redação POLITICA.SP11 de set. de 2026 · 06h347 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Boi do Seu Teodoro corre risco: mulheres negras lutam por terra e verba
Reprodução: nosmulheresdaperiferia.org.br

Mulheres negras do Boi do Seu Teodoro em Sobradinho (DF) defendem território e verba para manter tradição centenária viva.

A cessão de direito do Centro de Tradições Populares é temporária; o grupo busca a escritura definitiva em negociação com a Terracap.

O Boi do Seu Teodoro é patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal desde 2004; o cordão reúne cerca de 15 famílias e 60 brincantes.

Lideranças locais incluem Tamatatíua (Tamá) Rosa Freire Ferreira, coordenadora de Memória; Jacy Freire, vice-presidente; e Dona Maria Sena Pereira Freire, viúva de Seu Teodoro.

Projetos de extensão citados são “Bumba Maria Meu Boi”, pelo Instituto Rosa dos Ventos, e “Memória e Educação”, que recebeu emenda parlamentar para ações em escolas públicas do DF.

A Região Administrativa de Sobradinho tem 72.273 habitantes; a disputa pela terra arrasta-se desde a década de 1970, com relato de monitoramento não autorizado em 2018.

O Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF) enfrenta atrasos e suspensão do Edital nº 06/2026 – FAC I/2026; a publicação no Diário Oficial de 19 de agosto justificou a paralisação pela falta de recursos para contratar a banca, custo estimado em R$ 992,7 mil.

O edital lançado em abril tinha valor de R$ 36 milhões para repasses a projetos nas áreas de cultura popular, música, teatro, dança, arte urbana, patrimônio e outras linguagens.

As lideranças relatam que atrasos no repasse de verbas aprovadas no fim de 2025 complicam planejamento de festas, oficinas e manutenção do barracão.

A antropóloga Cleidiana Ramos alerta: “Se abrirmos a guarda, nós perdemos”.

Tamátíua afirma que a posse atual só vale por cessão temporária e que há um processo ativo para regularizar a área.

A história pessoal ilustra o vínculo: Maria da Natividade Pinheiro Santos, 65 anos, veio do Maranhão aos 16, entrou no barracão aos 26 e participa há 37 anos.

Próximo passo: o grupo tenta regularizar a posse e pressionar por repasses para retomar editais e garantir o calendário de agosto.