Bradesco: Brasil precisa de até 5 pontos de superávit para estabilizar dívida
Economista-chefe Fernando Honorato disse na B3 Week que juros reais de 7,5% elevam o esforço fiscal necessário a 4,5% do PIB

Brasil precisaria de mudança de 5 pontos no superávit primário para estabilizar a dívida, disse Fernando Honorato, economista‑chefe do Bradesco.
Com a NTN‑B a 7,5% ao ano em termos reais, o país precisaria de superávit primário de 4,5% do PIB — contra cerca de 0,5% atuais, segundo a conta apresentada por Honorato; a diferença é ~5 pontos percentuais.
Honorato falou no painel da B3 Week mediado pelo CEO da B3, Chris Egan, ao lado do economista‑chefe do Itaú, Diogo Guillen; ele afirmou que "nem o Milei na Argentina conseguiu uma mudança de 5% no superávit primário".
O governo Javier Milei chegou ao poder no fim de 2023, prometeu déficit zero e fez cortes que levaram a Argentina ao primeiro superávit primário em mais de uma década, com forte contração da atividade.
Se a taxa real cair para 4%–4,5% — patamar que Honorato chama de média histórica — o esforço fiscal necessário recua para cerca de 1,5% do PIB; "é algo absolutamente administrável", afirmou.
Honorato disse que a origem do juro alto é o fiscal, não a política monetária: "Essa economia está sofrendo de juros excessivos, e a culpa não é dos meus colegas do Banco Central"; alertou que, se o próximo presidente não resolver o fiscal, a taxa pode permanecer alta por muito tempo.
Ele também afirmou que a queda da taxa real de 10 anos de 7,5% para 4% teria impacto "gigantesco" nos valuations das empresas, beneficiando setores intensivos em capital, como varejo, consumo e infraestrutura.
Diogo Guillen concordou que o ajuste não precisa ser um choque recessivo e ressaltou a rigidez do orçamento e o risco de um déficit nominal alto: "Introduz prêmio de risco, introduz juros".
7,5% ao ano — taxa real da NTN‑B usada no cálculo
4,5% do PIB — superávit primário necessário com juro real de 7,5%
0,5% do PIB — superávit primário atual aproximado
1,5% do PIB — esforço necessário se juro real cair para 4%–4,5%
"Precisamos reinstalar a credibilidade depois da eleição", disse Honorato; ele acrescentou que, infelizmente, parte da solução virá "via impostos".
Relatórios do Boletim Focus, Itaú BBA, C6 Bank, Suno Research e Daycoval apontam expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual nesta semana.