Brasil precisa da Margem Equatorial para manter produção de petróleo, diz especialista
Pedro Rodrigues, do CBIE, analisa episódio 176 do Infra em 1 Minuto publicado em 22.ago.2026 no YouTube

O Brasil precisa avançar sobre a Margem Equatorial para evitar queda da produção de petróleo no longo prazo, diz Pedro Rodrigues.
A falta de novas fronteiras levará ao declínio do pré-sal, exigindo descobertas para preservar a liderança das exportações em 2024 e 2025.
Pedro Rodrigues, especialista em petróleo e gás e sócio do CBIE, falou no episódio 176 do Infra em 1 Minuto, lançado em 22.ago.2026 no canal do YouTube, vídeo de 2min09s.
Rodrigues afirmou que o pré-sal está em curva de produção e deverá entrar em declínio, e que a exploração de novas áreas é necessária para manter o país protagonista: "Sem novas fronteiras exploratórias, o Brasil não se mantém protagonista —apenas administra o declínio".
Ele criticou a demora no licenciamento do poço Morpho (bloco FZA-M-59): leilão em 2013, licenciamento iniciado em 2014, pedido negado pelo Ibama em 2023 e licença para perfurar concedida apenas em outubro de 2025, mais de 11 anos depois.
A autorização concedida em outubro de 2025 vale somente para o poço Morpho; outros três poços contingentes ainda dependem de análise de informações complementares da Petrobras pelo Ibama.
A Petrobras confirmou presença de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 km da costa do Amapá; a descoberta segue em fase exploratória e a estatal precisa avaliar volume, qualidade e viabilidade comercial antes de decidir pela produção.
Rodrigues também criticou propostas de mudar o regime de concessão para o de partilha nos próximos leilões da região, que afetariam apenas contratos futuros e dependeriam de decisão do CNPE sobre áreas estratégicas.
Ele explicou a diferença: no regime de concessão a empresa assume riscos e fica com o petróleo, pagando tributos; no regime de partilha a produção pertence à União, que divide o excedente com a contratada após recuperação de custos.
"Investimento não foge do risco geológico, investimento foge da incerteza regulatória", declarou Rodrigues, que afirmou que mudança de regras reduziria a atratividade da Margem Equatorial.
"Não custa lembrar que o Amapá e o Brasil não recebem royalties de promessa", acrescentou Rodrigues sobre os atrasos no licenciamento e nas definições de leilões.
Margem Equatorial é a faixa marítima que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte.
176º episódio — Infra em 1 Minuto, publicado em 22.ago.2026
2min09s — duração do vídeo
175 km — distância do poço Morpho da costa do Amapá
2013 — ano do leilão do bloco FZA-M-59
outubro de 2025 — licença de perfuração concedida
O Ibama ainda analisa informações complementares apresentadas pela Petrobras sobre os poços contingentes, e o CNPE precisa decidir se classifica áreas como estratégicas para mudar o regime de contratos.