Brasil tem 83,9 milhões de inadimplentes; economista da Serasa evita afirmar pior momento
Número recorde cresce desde janeiro de 2025 e saldo negativado supera R$ 500 bilhões — melhora depende de juros e política fiscal.

Brasil registra 83,9 milhões de inadimplentes, 51% da população adulta, contra 40% há dez anos.
O total de dívidas negativadas na base da Serasa Experian supera R$ 500 bilhões, e recordes são batidos desde janeiro de 2025.
Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, diz que ainda não dá para afirmar que a inadimplência atingiu o pior momento.
Abdelmalack falou no podcast Radar Eleitoral sobre a pressão de juros de longo prazo elevados e a perspectiva de desaceleração econômica.
Entre os inadimplentes mapeados pela Serasa, 78% recebem até dois salários mínimos e 48% recebem até um salário mínimo.
A dívida média por inadimplente fica entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, com média de quatro dívidas por pessoa e ticket médio próximo de um salário mínimo.
Mesmo com projeção da Selic em torno de 12% para 2027 no boletim Focus, Abdelmalack afirma que isso não basta para mudar a dinâmica do crédito.
Ela aponta que o prêmio de risco elevado decorre de falta de sinalização da política fiscal, elevando custo para governo, empresas e famílias.
83,9 milhões — número de brasileiros inadimplentes
51% — fatia da população adulta inadimplente
R$ 500 bilhões — saldo negativado na Serasa Experian
78% — inadimplentes que recebem até dois salários mínimos
R$ 6–7 mil — dívida média por inadimplente
"A gente não pode tratar a inadimplência só pela ótica da taxa Selic", disse Camila Abdelmalack no podcast Radar Eleitoral.
A economista espera maior clareza sobre coordenação entre política fiscal e monetária no período pós-eleitoral.