Canetas emagrecedoras seguem fora do SUS por custo de até R$727 por mês
Conitec rejeitou em 2025 a incorporação da semaglutida; estimativa de gasto anual chegou a R$2,5 bilhões.

Canetas com semaglutida continuam fora do SUS por causa do alto custo: R$727 por caneta na proposta inicial.
A proposta da Novo Nordisk em 2025 previa tratar 146 mil pacientes e a análise de impacto orçamentário estimou até R$2,5 bilhões por ano — cerca de 1% do orçamento do SUS.
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (GHC) começou em junho a avaliar semaglutida em estudo com cerca de 250 pacientes que aguardam cirurgia bariátrica; o lançamento teve a presença do ministro Alexandre Padilha (PT).
A endocrinologista Kátia Souto, coordenadora do Serviço de Endocrinologia do GHC, relata o caso de Rosa, que morreu aguardando cirurgia; Rosa tinha 42 anos, 1,45 m, 157 kg, diabetes e uma perna amputada.
A patente da semaglutida venceu em março depois que o Superior Tribunal de Justiça rejeitou, em dezembro, o pedido da Novo Nordisk para prorrogar a exclusividade por 12 anos.
Com o fim da exclusividade, fabricantes nacionais deram entrada a versões mais baratas; a Anvisa já aprovou cerca de 20 remédios com semaglutida e, no início de setembro, autorizou dois genéricos de liraglutida.
Em 2025 a farmacêutica também pediu à Conitec registro da liraglutida para mais de 4 milhões de pacientes com obesidade, com custos que poderiam chegar a R$22 bilhões em quatro anos; ambos os pedidos foram rejeitados por impacto orçamentário e incertezas de uso prolongado.
O Ministério da Saúde pediu prioridade à Anvisa para registro de novos análogos de GLP-1 e afirmou que a entrada de genéricos pode reduzir preços, fator determinante para futura incorporação ao SUS.
“O remédio funciona, salva, muda a qualidade de vida e é um divisor de águas, mas é caro e para a vida toda”, disse a médica endocrinologista Luciana Bahia, pesquisadora do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (Iats).
A Novo Nordisk reapresentou à Conitec uma submissão em junho para uso em pacientes com obesidade, mais de 45 anos e histórico de infarto; o próximo passo é a nova análise técnica da Conitec sobre essa proposta.