Carmona: Brasil precisa recompor defesa e aumentar investimentos
Professor da ESG pede dissuasão mínima; governo reservou R$ 12,7 bilhões para Defesa em 2027, 60% a mais que 2026

O Brasil precisa recompor sua capacidade mínima de defesa e investir mais para criar dissuasão contra potenciais agressões, diz Ronaldo Carmona, professor da ESG e especialista do Cebri.
Isso implica crescimento do gasto em Defesa para patamares bem acima dos atuais 1,1% do PIB, meta que a PEC 55/23 prevê elevar gradualmente até alcançar mínimo de 2% do PIB.
Ronaldo Carmona afirma que "o Brasil precisa recompor a capacidade mínima de se defender" e que dissuasão envolve elevar o custo de uma agressão ao País.
Atualmente, o país destina cerca de 1,1% do PIB à Defesa; países da Otan investem aproximadamente 3% e fixaram meta de 5% até 2035.
Entre os investimentos citados estão R$ 2,8 bilhões para o programa FX-2 (caças), R$ 1,8 bilhão para o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro e R$ 1,4 bilhão para o programa nuclear da Marinha, incluindo submarino nuclear.
O Exército terá R$ 944,7 milhões para modernização de veículos blindados e R$ 646,2 milhões para o programa Astros-Fogos, de mísseis de longo alcance.
O governo atribui parte do aumento à regra aprovada que permite retirar até R$ 5 bilhões das regras fiscais em 2027; resultou em R$ 10 bilhões no PAC para projetos estratégicos.
O Executivo reservou R$ 12,7 bilhões para investimentos em Defesa em 2027, 60% acima dos R$ 7,95 bilhões previstos na proposta de 2026; Defesa supera Saúde, com R$ 11,4 bilhões, e Transporte lidera com R$ 13,8 bilhões.
Carmona alerta que, sem dissuasão, riquezas como território, biodiversidade, petróleo e minerais estratégicos podem virar vulnerabilidade, e defende integrar Defesa, indústria e ciência num projeto nacional de soberania.
Em 31 de agosto, o presidente Lula afirmou que o Brasil precisa estar preparado para a paz e impedir que qualquer potência se aventure contra o País.