Casas Bahia pede recuperação judicial; sinais apontam risco de recessão em 2027
Dívida de R$ 17,3 bilhões da varejista expõe juros altos, retirada de capital e endividamento das famílias.

Casas Bahia pediu recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões de dívida.
A medida ocorre num cenário de juros elevados, restrição de crédito e consumo pressionado, que pode tornar 2027 mais difícil do que sugere o slogan "Brasil, pronto para mais" de Lula.
Nas duas últimas semanas, investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 18 bilhões da Bolsa brasileira, a maior evasão desde 2020.
A dívida pública projetada chega a 84% do PIB ao final do ano, e o Tesouro precisa rolar cerca de R$ 150 bilhões por mês pagando juros reais de 8%.
O endividamento das famílias alcançou 82% em julho; a inadimplência chegou a 29,8% e 12,3% das famílias dizem não ter condições de pagar o que devem.
O crescimento da economia é de 2% ao ano, enquanto a dívida pública cresce 6,4%, colocando pressão fiscal sobre a margem de resposta do governo.
O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga comparou o atual cenário ao pré-crise de 2014; Alfredo Setubal, CEO da Itaúsa, descreveu o quadro como "pequena recessão".
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já se reuniu com Samuel Pessoa e Marcos Lisboa e tem encontros previstos com Pedro Malan e Armínio Fraga, buscando alternativas na política econômica.
Em 2014 o PIB cresceu 0,1% e a economia entrou em recessão no ano seguinte, histórico que alimenta a preocupação sobre o adiamento de medidas econômicas durante a campanha eleitoral.