Déficit das estatais até abril foi R$ 6,5 bilhões, quase o dobro do previsto
Relatório do TCU mostra impacto dos Correios e aponta frustração em receitas como imposto sobre dividendos e exportação de petróleo

O déficit primário acumulado das empresas estatais federais chegou a R$ 6,5 bilhões até abril de 2026.
O valor é quase o dobro dos R$ 3,4 bilhões projetados pelo governo para o mesmo período e se aproxima da meta anual que admite déficit de R$ 6,8 bilhões.
O acompanhamento do 2º bimestre foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União, com relatoria do ministro Antonio Anastasia.
A deterioração de cerca de R$ 3 bilhões foi atribuída em grande parte aos Correios, que registraram déficit acumulado de R$ 2,8 bilhões até abril.
O Banco Central, com metodologia distinta, apurou déficit de R$ 5,9 bilhões nas estatais até abril.
Os Correios estão em reestruturação financeira desde setembro de 2025; o plano foi financiado por empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025, com aval da União.
Apesar de redução de custos operacionais e de pessoal, os Correios tiveram prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre de 2026, ante R$ 1,73 bilhão no 1º trimestre de 2025, acumulando perdas desde 2022 por 14 trimestres consecutivos.
O TCU considerou a projeção de receita do governo plausível, mas identificou risco de frustração em fontes relevantes: imposto sobre dividendos, imposto de exportação sobre petróleo bruto e receitas primárias de capital.
R$ 1,5 bilhão — arrecadação do imposto sobre dividendos até maio, 5% da projeção anual de R$ 29,9 bilhões
R$ 1,1 bilhão — imposto de exportação sobre petróleo bruto até abril, 7% da projeção de R$ 15,6 bilhões
R$ 600 milhões — receitas primárias de capital até abril, 1,8% da estimativa de ~R$ 31 bilhões