Desoneração da proteína animal eleva emissões em 1,7% e pode perder vantagem na UE
Redução de impostos a partir de 2027 favorece frigoríficos como JBS, Marfrig e BRF; CBAM de 2026 pode cobrar carbono sobre carnes importadas.

A reforma tributária reduzirá impostos sobre proteína animal a partir de 2027, gerando aumento de 1,7% nas emissões de gases de efeito estufa na economia.
A entrada em vigor do mecanismo de carbono de fronteira europeu (CBAM) prevista para 2026 pode neutralizar parte do ganho competitivo da desoneração, ao taxar o carbono de carnes brasileiras importadas pela UE.
A desoneração corta alíquotas sobre proteína animal e beneficia diretamente frigoríficos JBS, Marfrig e BRF, além de integradoras e processadoras menores.
Frango exportado cresceu 28% em volume no início de agosto, segundo dados da cadeia, o que amplia a pressão de competição por preço na exportação.
O pacote da reforma reposiciona carga tributária sobre setores estratégicos e muda precificação interna e competitividade na cadeia de exportação.
A quantificação de impacto ambiental associa o ganho fiscal à pressão adicional sobre compromissos climáticos, complicando negociações comerciais com a União Europeia.
Frigoríficos podem ser forçados a investir em redução de emissões e rastreabilidade para manter acesso a mercados com padrões de carbono, como a UE e países da Ásia desenvolvida.
A timeline permite revisão: a desoneração somente começa em 2027, e debates legislativos em curso ainda podem alterar o alcance da medida.
1,7% — aumento anualizado das emissões de gases de efeito estufa
28% — crescimento em volume das exportações de frango no início de agosto
2026 — previsão de implementação do CBAM na União Europeia
2027 — data prevista para a vigência da desoneração tributária
O próximo passo é a tramitação final da reforma no Congresso, onde parlamentares podem revisar escopo e regras da desoneração antes de 2027.