Dirceu diz que juros de 14% são decisão política e injustos para o trabalhador
Ex-ministro e candidato do PT em SP pede pacto para reduzir juros e critica PEC que daria autonomia financeira ao BC

José Dirceu afirmou que “taxa de juros é decisão política” e que a Selic, hoje em 14%, permite apropriação de lucros pelo capital financeiro e parte dos salários.
Ele disse em entrevista em 20/8 que não há justificativa para a Selic de 14% num cenário em que a dívida pública brasileira é “pequena” em comparação a outros países.
Dirceu declarou que o brasileiro paga 50% de juros no cartão e que trabalhadores perdem metade da renda com impostos sobre luz, água, telefone, transporte e juros; afirmou que 80% a 90% do déficit é juro.
O ex-ministro-chefe da Casa Civil (2003–2005), ex-presidente do PT e candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo defendeu aumento de investimentos e cortes nas renúncias fiscais em vez de ajuste sobre programas sociais.
Ele propôs reduzir renúncias fiscais — hoje, 6% do PIB — e criticou propostas que retirariam 4% do PIB de saúde, educação, previdência e salário.
Dirceu citou números internacionais: EUA com dívida acima de 100% e cerca de US$42 trilhões; disse que Europa paga juros de 1% a 1,5%; listou Japão com quase 240% da dívida/PIB e Itália com 150%–160%.
Segundo ele, o Brasil paga juros de 10% que correspondem a mais de R$1 trilhão por ano e beneficiam uma minoria que concentra renda.
Dirceu chamou a meta de inflação de 3% de “irreal”, lembrando tolerância de 1,5 ponto e dizendo que manter a meta em 4,5% permitiria Selic de 7%–8%.
Ele rejeitou a PEC 65/2023 que propõe autonomia financeira do Banco Central, afirmando que transformar o BC num “quarto poder” fora do Orçamento seria inconstitucional.
Ele concluiu defendendo um pacto nacional para baixar juros e rejeitou ajustes fiscais que ataquem salário mínimo, aposentadorias e programas sociais.