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Dirceu diz que juros de 14% são decisão política e injustos para o trabalhador

Ex-ministro e candidato do PT em SP pede pacto para reduzir juros e critica PEC que daria autonomia financeira ao BC

Redação POLITICA.SP22 de ago. de 2026 · 04h315 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Dirceu diz que juros de 14% são decisão política e injustos para o trabalhador
Reprodução: horadopovo.com.br

José Dirceu afirmou que “taxa de juros é decisão política” e que a Selic, hoje em 14%, permite apropriação de lucros pelo capital financeiro e parte dos salários.

Ele disse em entrevista em 20/8 que não há justificativa para a Selic de 14% num cenário em que a dívida pública brasileira é “pequena” em comparação a outros países.

Dirceu declarou que o brasileiro paga 50% de juros no cartão e que trabalhadores perdem metade da renda com impostos sobre luz, água, telefone, transporte e juros; afirmou que 80% a 90% do déficit é juro.

O ex-ministro-chefe da Casa Civil (2003–2005), ex-presidente do PT e candidato a deputado federal pelo PT em São Paulo defendeu aumento de investimentos e cortes nas renúncias fiscais em vez de ajuste sobre programas sociais.

Ele propôs reduzir renúncias fiscais — hoje, 6% do PIB — e criticou propostas que retirariam 4% do PIB de saúde, educação, previdência e salário.

Dirceu citou números internacionais: EUA com dívida acima de 100% e cerca de US$42 trilhões; disse que Europa paga juros de 1% a 1,5%; listou Japão com quase 240% da dívida/PIB e Itália com 150%–160%.

Segundo ele, o Brasil paga juros de 10% que correspondem a mais de R$1 trilhão por ano e beneficiam uma minoria que concentra renda.

Dirceu chamou a meta de inflação de 3% de “irreal”, lembrando tolerância de 1,5 ponto e dizendo que manter a meta em 4,5% permitiria Selic de 7%–8%.

Ele rejeitou a PEC 65/2023 que propõe autonomia financeira do Banco Central, afirmando que transformar o BC num “quarto poder” fora do Orçamento seria inconstitucional.

Ele concluiu defendendo um pacto nacional para baixar juros e rejeitou ajustes fiscais que ataquem salário mínimo, aposentadorias e programas sociais.