Durigan: guerra EUA-Irã, apoiada pelo bolsonarismo, pressiona a inflação brasileira
O ministro vinculou alta de preços e aumento da Selic à guerra que começou em 28 de fevereiro; citou rádio Metrópole da Bahia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta (21/8) que a inflação elevada no Brasil decorre da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, apoiada pelo bolsonarismo.
Essa pressão externa, segundo Durigan, leva o Banco Central a subir juros para conter preços; a Selic está em 14% ao ano.
Durigan falou durante entrevista à rádio Metrópole da Bahia e afirmou que os bancos centrais globais aumentam juros por causa do impacto de preço e oferta provocado pela guerra.
Ele afirmou que o governo dos Estados Unidos iniciou a guerra contra o Irã, que elevou preços do petróleo e, assim, trouxe aumento de preços ao Brasil.
Para mitigar o choque, o governo federal lançou subsídios à gasolina, petróleo, etanol e gás.
A guerra no Irã começou em 28 de fevereiro; antes do conflito o barril Brent oscilava perto de US$ 70, chegou a US$ 120 durante a troca de ataques e hoje é negociado a US$ 93,75, com queda de 0,03% nas últimas 24 horas.
Ainda assim, o IPCA acumula 4,44% nos últimos 12 meses, e a alta de preços pesa negativamente na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.
Durigan afirmou também que a inflação não é reflexo direto do endividamento público e propôs controle de despesas para os próximos anos.
Na terça, em entrevista à rádio CBN, Durigan prometeu que, se Lula for reeleito, haverá esforço fiscal similar ao atual, de 2% do PIB, para melhorar o resultado primário.
A meta fiscal de 2026 é superávit de 0,25% do PIB — equivalente a R$ 34,2 bilhões — com margem de tolerância de 0,25% para mais ou para menos; as projeções apontam superávit de 0,50% em 2027 e 1% em 2028.
Selic — 14% ao ano
IPCA 12 meses — 4,44%
Dívida bruta — 81,9% do PIB, segundo boletim do Banco Central divulgado no dia 31
"E aí minha pergunta é: então não é o governo que gasta é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo", disse Durigan durante a entrevista.
O próximo passo anunciado pelo ministro é controlar despesas nos próximos anos e executar um esforço fiscal semelhante ao atual, caso Lula seja reeleito.