Fóruns populares entregam 27 propostas de segurança pública em ano eleitoral
Documento prioriza prevenção, direitos e alternativas à ‘guerra às drogas’ e será levado a candidatos à Presidência e governos estaduais

Fóruns populares lançaram 27 pontos “inegociáveis” por uma segurança pública que proteja a vida, centrados em prevenção e garantia de direitos.
O objetivo é apresentar as propostas a candidatos à Presidência e ao máximo de candidatos aos governos dos estados durante a campanha eleitoral.
A 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil (ConsepBR) ocorreu em Fortaleza entre 19 e 21 de agosto, com 300 representantes de fóruns e entidades de 16 estados.
As pautas incluem reorientação do investimento para prevenção, educação, saúde, trabalho e renda; mudanças nos códigos penal e processual; aumento de penas; diminuição da maioridade penal; estratégias comunitárias de policiamento; mediação de conflitos; e segurança alimentar.
Edna Jatobá, coordenadora executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajob) e articuladora do Fórum Popular de Segurança Pública do Nordeste, disse que é preciso “reorientar o investimento para programas de prevenção” e ver segurança como política integrada a outros direitos.
Gerlane Simões, do Fórum Popular de Segurança Pública do Nordeste e de Pernambuco, disse que fazer a conferência antes das eleições serviu para “colocar o dedo na ferida” dos candidatos e que a ideia é encaminhar as propostas a todos os candidatos alcançáveis.
A carta dos fóruns propõe tratar drogas como questão de saúde e social, não guerra contra pessoas pobres, e priorizar o sufocamento de grandes facções e o desmonte de grupos criminosos armados por operações inteligentes.
18 mortes por dia — média de homicídios cometidos por violência policial apontada para 2025
Mais de 40.000 mortes violentas intencionais em 2025 — total anual citado
R$ 4,5 bilhões — investimento em armamento e policiamento em Pernambuco em 2025, segundo a discussão no evento
"A guerra às drogas tem sido um pretexto para praticar o genocídio contra a juventude pobre, negra e periférica", afirmou Jatobá durante a conferência.
Próximo passo: os organizadores vão encaminhar a carta com as 27 propostas a candidaturas presidenciais e a candidatos aos governos estaduais durante a campanha eleitoral.