Galípolo: avanço do crédito sem garantia e piora da qualidade da dívida preocupam
Presidente do Banco Central flagra salto do consignado privado e altos juros no crédito sem garantias como riscos para famílias

Gabriel Galípolo alerta que o avanço do crédito sem garantia e a piora da qualidade da dívida preocupam o Banco Central.
Desde março de 2025 o saldo do consignado privado saltou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões, alta de 145%.
O Pix registrou em 2025: 80 bilhões de transações, R$ 35 trilhões movimentados, 162 milhões de pessoas e 16 milhões de empresas.
Em dezembro de 2023, 74% dos adultos do CadÚnico já tinham chave Pix e 72% utilizavam a ferramenta, e 37 milhões de brasileiros passaram a usar cartão de crédito desde a criação do Pix.
O país tem 96 milhões de usuários de cartão de crédito; 52,8 milhões carregam dívidas no rotativo ou no parcelamento.
No consignado privado, a inadimplência subiu de 5% para 6,7% e a taxa de juros foi de 40,9% para 57% desde o lançamento da modalidade.
Operações garantidas podem ter juros próximos de 27%, enquanto crédito sem garantia pode superar 140%, segundo dados citados por Galípolo.
A carteira de financiamento de veículos para pessoas físicas cresceu 10,6% em 12 meses, de R$ 343 bilhões no fim de 2024 para quase R$ 400 bilhões ao fim de 2025.
Galípolo disse que aumento do crédito tende a elevar o endividamento: “Se você promoveu, de alguma maneira, uma elevação do crédito, é normal você esperar que o endividamento também cresça.”
Ele afirmou que, mesmo com renda mais alta e desemprego mais baixo, há endividamento elevado e inadimplência crescente.
O próximo passo, segundo Galípolo, é avançar na adequação das modalidades de crédito e promover uso mais consciente dos serviços financeiros.