IFI: R$ 105,5 bilhões em restos a pagar no fim de 2025
Valor pressiona o caixa e é quase seis vezes o bloqueio de R$ 17,9 bilhões em vigor em 2026

IFI aponta R$ 105,5 bilhões em restos a pagar inscritos no fim de 2025.
O montante é quase seis vezes o bloqueio de despesas de R$ 17,9 bilhões em vigor em 2026.
O 115º RAF mostra que R$ 62,8 bilhões em deduções legais favorecem o cumprimento formal da meta fiscal; sem elas, a IFI projeta déficit de R$ 52 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB.
O 3º RARDP, divulgado pelo governo em julho, reduziu o bloqueio de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões após revisar estimativas de despesas obrigatórias como pessoal, benefícios previdenciários e BPC.
Do estoque de R$ 105,5 bilhões, R$ 11,5 bilhões são despesas processadas e R$ 94,1 bilhões não processadas; as emendas de bancada e de comissão superam os limites de pagamento autorizados para 2026.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o governo central registrou déficit primário de R$ 81,2 bilhões, ante déficit de R$ 70,3 bilhões no mesmo período de 2025.
A receita líquida cresceu 6,0% real, puxada por receitas administradas (+6,7%) e pelo RGPS (+6,2%); as despesas primárias subiram 6,3% no período.
Os gastos discricionários cresceram 44,5% real frente a 2025, influenciados pela LDO de 2026 que determinou antecipação de 65% do pagamento de emendas impositivas individuais e de bancada no 1º semestre.
A IFI calcula déficit primário estrutural de 1,4% do PIB nos quatro trimestres até junho de 2026, o dobro dos 0,7% no mesmo período de 2025, e afirma que a política fiscal passou de contracionista em 2025 para expansionista em 2026.
R$ 105,5 bilhões — estoque de restos a pagar no fim de 2025
R$ 94,1 bilhões — restos não processados
R$ 11,5 bilhões — restos processados
R$ 62,8 bilhões — deduções legais que favorecem meta fiscal
R$ 17,9 bilhões — bloqueio de despesas em vigor em 2026
R$ 23,7 bilhões → R$ 17,9 bilhões — bloqueio informado no 3º RARDP
R$ 81,2 bilhões — déficit primário jan–jul 2026
0,4% do PIB — déficit projetado sem deduções (R$ 52 bilhões)
1,4% do PIB — déficit estrutural em 4 trimestres até jun/2026
2,1% do PIB — superávit primário necessário para estabilizar dívida bruta
O próximo passo é o acompanhamento trimestral das contas pelo Legislativo e atualizações nas estimativas fiscais durante 2026.