Importadores alertam risco de falta de diesel por preço da Petrobras
Preço de R$ 3,49 por litro e defasagem de 107% tornam importações inviáveis em alta sazonal de demanda

Importadores dizem que risco de escassez de diesel aumentou porque a Petrobras cobra R$ 3,49 por litro, 107% abaixo da cotação internacional.
A Abicom afirma que a defasagem torna a importação inviável justamente no início da demanda sazonal do agronegócio em setembro e outubro.
Sergio Araújo, presidente da Abicom, diz que a “defasagem muito elevada” criou reserva comercial e observa “um fluxo comercial paralisado”.
O preço líquido da Petrobras às distribuidoras está sem mudança desde 1º de junho, quando a estatal aplicou desconto de R$ 0,3515 por litro, reduzindo o preço médio de R$ 3,65 para R$ 3,30.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou em 11.set.2026 a MP 1.391/2026, que cria possibilidade de incentivo de R$ 1 por litro; a medida precisa de portaria do Ministério da Fazenda para vigorar.
A Petrobras informou que aguardava a portaria da Fazenda para avaliar reajuste do diesel; a gasolina recebeu desconto de R$ 0,19 por litro.
Já vigora desde 1º de junho uma subvenção de R$ 1,12 por litro; o novo benefício se somaria a essa até 26.set., data de vencimento da MP 1336 de 2026.
Dados do Comex Stat mostram queda nas importações de diesel: 8,07 milhões de toneladas de jan a ago de 2026, contra 9,11 milhões em 2025, recuo de 11,4%.
Só em agosto, as importações caíram 6,3%, de 1,09 milhão de toneladas em 2025 para 1,02 milhão em 2026; a conversão indica cerca de 1,2 milhão m³ no mês, queda de ~18% em relação a julho.
Como o Brasil importa mais de 25% do diesel que consome, uma interrupção prolongada das importações privadas aumenta dependência no refino nacional liderado pela Petrobras.