Indústria pede mais cortes após Selic cair a 13,75% em 16.set.2026
CNI afirma que juro real está em ~9% e que diferença para referências indica espaço para reduções adicionais.

A indústria pede cortes adicionais na Selic depois do Copom reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, nesta 4ª feira (16.set.2026).
A CNI calcula juro real em aproximadamente 9% ao ano — cerca de 4 pontos percentuais acima da taxa real neutra de 5% estimada pelo BC — e sua regra de Taylor indica taxa nominal de 10,3% ao ano no 2º trimestre de 2026, daí o argumento de espaço para novos cortes.
O Copom fez o corte de 0,25 p.p.; a Confederação Nacional da Indústria considerou a decisão correta, porém cautelosa, e o presidente da CNI, Ricardo Alban, declarou que “é essencial que o BC dê continuidade ao ciclo de redução da Selic”.
A CNI afirmou que a inflação corrente apresenta desaceleração e que as expectativas de mercado indicam convergência gradual para a meta de 3% ao ano no horizonte relevante da política monetária.
No mercado de crédito, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano em julho (+1,8 p.p. em 12 meses); para pessoas físicas foi 60% ao ano e, para empresas, 25,4%.
A entidade apontou piora de indicadores de crédito: inadimplência em operações com recursos livres de 7,8% entre pessoas físicas e 4,2% entre pessoas jurídicas; endividamento das famílias alcançou 49,8% da renda em junho; comprometimento da renda com serviço da dívida chegou a 28,9%, o maior nível da série histórica.
Pesquisa da CNI com 179 empresas de 28 setores mostra que 56% esperam maior necessidade de financiamento para contas a pagar, 50% para manutenção de estoques e 49% para contas a receber; entre as que buscam mais crédito, cerca de 60% projetam aumento das taxas cobradas.
A pesquisa também revela efeitos nas margens e endividamento: 57% das empresas esperam redução da margem líquida, aproximadamente 1/3 projeta aumento do endividamento bancário; 53% pretendem manter preços e 35% planejam reajustá‑los para cima.
O PIB cresceu 0,5% no 2º trimestre de 2026, abaixo dos 1,1% do trimestre anterior; o consumo das famílias recuou 0,4% e a indústria de transformação ficou estagnada; o PMI Industrial caiu de 47,5 pontos em julho para 46,3 em agosto, menor nível em 40 meses.
Eduardo Palomine, sócio da EXM Partners, afirmou que “a dúvida para muitas empresas é por quanto tempo ainda será necessário conviver com os efeitos de um cenário de juros mais altos por mais tempo, no qual o custo de capital permanece elevado, o crédito segue restrito”.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, declarou que o corte foi insuficiente e que “juros elevados por tempo prolongado, somados ao descontrole dos gastos públicos, sufocam famílias e empresas, travando os investimentos e a retomada do crescimento do Brasil”.
Copom e Banco Central terão de avaliar a trajetória da inflação e as expectativas de mercado para decidir novos cortes na Selic nos próximos encontros de política monetária.