Internacionalizar a ciência exige previsibilidade, não só bolsas no exterior
Lula anuncia recriação do Ciência sem Fronteiras focada em IA, matemática e engenharia; especialistas pedem regras que garantam retorno e proteção às estruturas científicas.

A internacionalização da ciência precisa de previsibilidade e planejamento, não apenas envio pontual de estudantes.
O Ciência sem Fronteiras original, criado em 2011, ofereceu bolsas a dezenas de milhares; mais de 80% foram de graduação, e o programa consumiu cerca de R$ 15 bilhões, mais de sete vezes o orçamento atual do CNPq.
O presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou intenção de recriar o Ciência sem Fronteiras em um próximo mandato, com ênfase em inteligência artificial, matemática e engenharia.
A Bepe, da Fapesp, vincula o estágio no exterior a uma bolsa e projeto em andamento no país, com avaliação por pares e retorno previsto para transferência de conhecimento.
Mudanças nas normas da Bepe foram anunciadas em 26 de agosto e passaram a vigorar em 1° de setembro, reduzindo de 12 para 6 meses o período de estágio para doutorado, doutoramento direto e pós-doutorado.
A prorrogação dessa redução é descrita como “excepcional”, o que pode limitar projetos ambiciosos: início de estágio costuma demandar 1 a 3 meses de treinamento e preparo antes do primeiro experimento.
As novas regras também excluem estudantes de iniciação científica (graduação) e de mestrado, embora uma nota posterior da Fapesp indique que poderão haver chamadas para esses grupos.
Diante de recursos limitados, a proposta levantada é priorizar pesquisadores mais experientes e selecionar menos bolsas, com foco em ousadia científica, em vez de encurtar indiscriminadamente os estágios.
O país precisa manter investimentos estáveis e regras claras por tempo suficiente para que colaborações internacionais realmente contribuam à ciência nacional.