Mais de 100 ex-diplomatas pedem veto de armas a Israel e dizem: ‘Palestina está sendo apagada’
Carta dirigida a Emmanuel Macron e Andy Burnham pede proibição de comércio de armas e sanções para preservar solução de dois Estados

Mais de 100 ex-diplomatas franceses e britânicos enviaram uma carta a Emmanuel Macron e a Andy Burnham pedindo veto de armas a Israel e afirmando que “a Palestina está sendo apagada”.
Eles pedem proibição do comércio e da venda de armas a Israel e esperam que Macron e Burnham imponham sanções específicas para manter viva a solução de dois Estados.
O documento foi assinado por 52 ex-diplomatas franceses e 50 ex-embaixadores britânicos, muitos com postos no Egito, Irã, Bahrein, Israel, Síria, Turquia, Kuwait, Arábia Saudita e Catar.
Entre os britânicos estão os ex-enviados à ONU Jeremy Greenstock e Emyr Jones Parry, e o ex-diretor do Foreign Office para o Oriente Médio Edward Chaplin.
Entre os franceses estão Patrice Paoli, ex-diretor para o Oriente Médio no Ministério das Relações Exteriores, e Stanislas de Laboulaye, ex-cônsul-geral em Jerusalém.
Os signatários disseram que, apesar dos crimes hediondos do Hamas em 7 de outubro de 2023, “nada justifica a política sistemática de Israel de destruição de Gaza e de sua população”.
A carta afirma que em Gaza 2 milhões de palestinos estão confinados em 30% de suas terras, passam fome, sem acesso a medicamentos e moradia, e que mais de 1.200 palestinos foram mortos desde o chamado “cessar-fogo”.
Os ex-diplomatas também acusam demolições de casas e violência de colonos na Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, com conivência do exército e da polícia israelenses, e dizem que a ocupação se estende ao Líbano e à Síria.
Eles pedem ainda que a Palestina seja reconhecida e que ações urgentes salvaguardem o direito à autodeterminação, enquanto defendem eleições palestinas em novembro para renovação democrática.
Os autores alertam que provocações militares e políticas podem favorecer o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições de 27 de outubro e comprometer negociações e direitos palestinos.