Mensagens vazadas entre ministros do Supremo expõem ofensas e bloqueio
Troca de mensagens entre Gilmar, Kassio e Fux veio à tona; debate envolveu demissão do diretor-geral da PF e pode adiar julgamento de André Mendonça

Mensagens de WhatsApp entre os ministros Gilmar Mendes, Kassio Nunes e Luiz Fux foram vazadas, com ofensas mútuas, bloqueio e discussões sobre a demissão do diretor‑geral da Polícia Federal.
A troca elevou a chance de o julgamento do supremo André Mendonça ser adiado, porque o voto‑vista do ministro Dino passou a dominar a pauta e a liberação antes das eleições é considerada improvável.
Gilmar mandou a Kassio: “Abram as contas” e “Assumam q estão ferrados”, cobrando transparência sobre o episódio da PF no dia em que André destituiu o diretor‑geral; Kassio respondeu “Me respeite, Gilmar. Isso não é postura.”
Kassio disse que presta contas há 15 anos “como juiz”, depois bloqueou Gilmar; Gilmar vazou primeiro parte das conversas, Kassio em seguida divulgou o bloqueio, e mensagens de Luiz Fux também chegaram ao público.
Em trechos sobre a direção da Corte, Gilmar pediu que Fux “cuide de atuar como Presidente da turma”; Fux respondeu que ninguém lhe diz como agir e encerrou com “Cuide de não encher meu saco!”.
A crise no Supremo já tem impacto político: avalia‑se que Luiz Inácio Lula está sendo prejudicado porque o ministro Alexandre de Moraes (“Xandão”) está associado ao presidente, e a campanha pressiona Lula a começar a disputar eleitoralmente.
Na mesma jornada, Lula afirmou em podcast que “aquele mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo” e que “tudo isso vai aparecer agora” para “limpar este país”, enquanto o coordenador jurídico da campanha pediu que Xandão explique sua relação com Vorcaro.
A campanha de Lula reclama que o presidente segue no modo governante; aliados citam que Janja tenta aproximação com evangélicos, Flavitcho percorre aeroportos e supermercados em tom eleitoral e Michelle tem atuado como cabo eleitoral.