Milei atribui lei do aborto à queda da natalidade na Argentina
A lei vigora desde 2021, mas nascimentos caem no país desde 2014; 2024 teve 413.135 nascimentos, diz Ministério da Saúde

O presidente Javier Milei culpou a lei do aborto pela queda da natalidade durante o Conselho das Américas.
A lei de interrupção voluntária da gravidez está em vigor desde 2021, mas a taxa de natalidade argentina registra declínio contínuo desde 2014.
Milei afirmou: "Essa paixão por matar crianças no útero também está nos custando caro em termos de crescimento, e nem vou mencionar o impacto no sistema previdenciário"; ele já relacionou o fenômeno à lei em maio.
O Ministério da Saúde registrou 413.135 nascimentos no ciclo de 2024, queda de 47% ante 777 mil nascimentos em 2014; o censo de 2022 estimou 1,4 filhos por mulher, ante 2,1 em 2001.
Estudos citam múltiplas causas para o declínio: adiamento da maternidade, maior participação feminina no mercado de trabalho, mudança nas expectativas reprodutivas e eficácia dos métodos contraceptivos; pesquisas não apontam o aborto como principal causa.
Um estudo da Universidade Austral mostrou que 46% dos argentinos consideram ter filhos muito importante, ante 77% há dez anos.
2021 — ano de vigência da lei de aborto
2014 — 777.000 nascimentos no país
2024 — 413.135 nascimentos, queda de 47%
2001 — 2,1 filhos por mulher (média)
2022 — 1,4 filhos por mulher (censo)
Próximo passo: discussões públicas e políticas sobre demografia e previdência devem seguir no debate nacional, com dados do Ministério da Saúde servindo de base para propostas.