Novas vacinas contra chikungunya avançam: pedido e produção autorizada
Eurofarma submeteu à Anvisa vacina VLP; Butantan recebeu autorização para produzir Butantan-CHIK em 2025.

Eurofarma submeteu à Anvisa em junho o pedido de análise da vacina CHIKV VLP, já aprovada para maiores de 12 anos nos EUA, União Europeia, Reino Unido, Suíça e Canadá.
O Instituto Butantan começou a produzir a Butantan-CHIK em maio, vacina desenvolvida com a Valneva e autorizada para pessoas de 18 a 59 anos com risco aumentado de exposição.
O Ministério da Saúde coordena uma estratégia-piloto com apoio do Butantan em municípios de Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e São Paulo; cerca de 48.000 doses foram aplicadas até o momento.
Em 2025 o Brasil notificou 129.123 casos prováveis de chikungunya, dos quais 107.975 foram confirmados, e registrou 121 mortes, segundo dados da Opas citados na matéria.
A CHIKV VLP usa partículas semelhantes ao vírus sem material genético, não infecta células e é aplicada em dose única, diferindo da Butantan-CHIK, que usa vírus vivo atenuado e exige cautela em grupos específicos.
A Butantan-CHIK tem o mesmo princípio da Ixchiq, a primeira vacina contra chikungunya registrada no mundo; por isso, dados de segurança e resposta imunológica da Ixchiq valem para a versão nacional.
Relatos de eventos adversos graves fizeram reguladores europeus reverem o uso da Ixchiq em 2025, com restrições temporárias para maiores de 65 anos e, depois, novas recomendações que limitam a aplicação a situações de risco após avaliação individual.
“O impacto clínico é muito desagradável e pode, em algumas circunstâncias, retirar a pessoa do trabalho”, disse o infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, do Hospital Israelita Albert Einstein.
A incorporação de novas vacinas ao SUS depende de parecer favorável da Conitec, que avalia eficácia, segurança e custo-efetividade, e a Anvisa continuará a analisar o pedido da CHIKV VLP.