Padrão de chuvas do Cantareira 'evaporou' e entrada de água caiu em 15 anos
Levantamento de 191 meses mostra 68% dos meses com chuva abaixo da média e 91% com vazão natural menor que a histórica.

O padrão de chuvas do Sistema Cantareira mudou: entradas de água tornaram-se mais incertas e tendem a ficar abaixo do passado.
A SP Águas já incorpora esse recuo nas projeções de contingência, usando parâmetros de 60%, 70% e 80% da média histórica para planejar reservatórios.
O levantamento abrange 191 meses desde outubro de 2010, considerando boletins diários dos mananciais no último dia de cada mês; 68% dos meses tiveram chuva abaixo da média histórica e 91% tiveram vazão natural abaixo da média.
A comparação entre os anos hidrológicos 2010/2011 e 2024/2025 mostra que, ao longo de 15 anos, chuvas e vazões caíram na maior parte dos meses, com exceção de junho (queda só na vazão).
Além da redução pluviométrica, temperaturas mais altas têm deixado solos mais secos e prejudicado a recuperação da vazão natural, diz Camila Viana, diretora-presidente da SP Águas.
Chuvas intensas e de curta duração tornaram-se mais frequentes e infiltram menos no solo, reduzindo a recarga dos mananciais; isso também pode ser agravado pela maior impermeabilização do solo, segundo o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP.
Amauri Pollachi, coordenador do Observatório Ondas, pede controle estrito e centralizado dos usos de água em São Paulo, priorização do abastecimento humano e recuperação de mananciais, e critica redução de pressão como principal medida de economia, defendendo incentivos tarifários.
191 meses — período analisado, de outubro de 2010 em diante
68% — meses com chuva abaixo da média histórica
91% — meses com vazão natural abaixo da média histórica
"O comportamento do passado não é mais representativo do futuro. A gente não sabe o que esperar", afirmou Camila Viana sobre a não estacionaridade das séries climáticas.
A SP Águas diz que já adota medidas institucionais e obras estruturais, com foco na integração dos reservatórios da Grande São Paulo e em transposições na região do Alto Tietê para aumentar a resiliência do Sistema Integrado Metropolitano.