Pessôa: “Não tem gastança”; propõe cortar ritmo dos gastos para conter dívida
Pesquisador do BTG defende reduzir crescimento do gasto primário para 1,5% ao ano e diz que dívida já chega a 81,9% do PIB.

Samuel Pessôa diz que “não tem gastança” e defende redução do ritmo dos gastos para estabilizar a dívida pública.
A dívida pública já alcança 81,9% do PIB, e Pessôa propõe limitar o crescimento do gasto primário a 1,5% ao ano; em seis ou sete anos, espera superávit primário de 2,5% do PIB.
Samuel Pessôa, pesquisador Macro no BTG Pactual, falou no programa Money Minds que o aumento da dívida decorreu de regras que indexaram benefícios ao crescimento da receita.
Ele aponta que a dívida subiu de 71,7% do PIB no fim de 2022 para 81,9% do PIB, um aumento de 10,2 pontos percentuais nos últimos quatro anos.
Pessôa cita como causas a indexação do salário-mínimo ao crescimento do PIB e a vinculação dos pisos constitucionais à receita corrente líquida, além da recomposição dos gastos com saúde e educação e do aumento do Fundeb.
O economista diz que o ajuste precisa ocorrer principalmente pelo lado do gasto, adequando a velocidade das políticas redistributivas à capacidade de crescimento da economia.
Ele afirma que, se os pisos de saúde e educação crescerem apenas pela inflação passada mais crescimento populacional nos próximos quatro anos, o risco-país e as taxas longas cairiam, e o câmbio poderia valorizar.
81,9% — dívida pública atual do setor público em porcentagem do PIB
71,7% — dívida pública ao final de 2022
10,2 pontos — alta da dívida em quatro anos do governo
1,5% — crescimento anual do gasto primário proposto
2,5% — superávit primário projetado após seis ou sete anos
"Eu nunca uso o termo 'gastança' para caracterizar o gasto público. Não tem gastança", disse Samuel Pessôa no programa.
Próximo passo: reduzir o ritmo de crescimento do gasto primário para 1,5% ao ano por seis ou sete anos, priorizando ajustes do lado das despesas e abrindo espaço para eventual aumento de carga tributária depois.