PF descreve como “atípica” operação de R$ 7 bilhões entre Master, Tirreno e BRB
Investigação aponta falta de pagamento pela Tirreno, contratos assinados por dirigentes do BRB e compra total de R$ 12,2 bilhões em CCBs pelo banco público.

A Polícia Federal classificou como “completamente atípica” a operação que previa recompras de R$ 7 bilhões entre Master, Tirreno e BRB.
A operação aparece no contexto da compra pelo BRB de R$ 12,2 bilhões em CCBs, com R$ 4,05 bilhões adquiridos após questionamentos do Banco Central.
O BRB informou que faria substituição dos créditos adquiridos do Master, prevendo devolução de R$ 7 bilhões pela Tirreno, empresa controlada pela Sociedade de Crédito Direto Cartos; o presidente do BRB declarou no STF que a Tirreno não recebeu os recursos.
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu em depoimento que a operação com a Tirreno foi cancelada e que não entregou o dinheiro nem à Tirreno nem ao BRB.
A PF destaca que o contrato de recompra foi assinado fisicamente pelo presidente do BRB e pelo diretor-executivo de Finanças do banco público, com comparação de rubricas e assinaturas no documento.
A investigação afirma haver evidências de que Tirreno e Cartos “se confundem”: sócios da Cartos criaram a Tirreno, houve acordo operacional para originação de créditos e os ativos teriam sido gerados por 20 correspondentes da Cartos.
R$ 7 bilhões — valor previsto para recompras pela Tirreno
R$ 12,2 bilhões — total de CCBs compradas pelo BRB do Banco Master
R$ 4,05 bilhões — parcela adquirida após questionamentos do Banco Central
10 de fevereiro de 2025 — data do TAC assinado entre BRB e Banco Central
“Como uma empresa que não recebeu valor algum (Tirreno) e teve a operação cancelada, pode ter se comprometido a recomprar carteiras no valor de 7 bilhões de reais”, diz a PF na representação.
A PF investiga a atuação de executivos do Banco Master, do BRB e das empresas envolvidas nas origens e transferências dos créditos, conforme consta na representação apresentada pela corporação.