PIB desacelera a 0,5% no 2º tri; juros e endividamento pesam
IBGE divulgou o resultado em 1º/9; Fazenda e Banco Central apontam juros altos e dívida das famílias como causas

Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre (abril-junho), segundo o IBGE, e desacelerou frente ao 1,1% do primeiro trimestre.
A queda de ritmo reflete redução da demanda doméstica: consumo das famílias recuou 0,4% no 2º tri, ante alta de 0,8% no 1º tri, e autoridades citam juros altos e endividamento como fatores concretos.
O IBGE divulgou o dado em 1º/9; agropecuária avançou 2,8%, serviços 0,2% e indústria 0,1% no trimestre; o consumo das famílias puxou a desaceleração.
O Ministério da Fazenda, pela Secretaria de Política Econômica (SPE), atribuiu o desempenho aos efeitos da política monetária restritiva sobre absorção doméstica e setores cíclicos, citando indústria de transformação, construção e comércio.
O Banco Central publicou nota do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) em 2/9 e diz preparar medidas para reduzir riscos ligados à elevada participação de crédito mais caro na dívida das famílias.
A Selic está em 14% ao ano após corte de 0,25 ponto (de 14,25%); o Copom se reúne nos dias 15 e 16 deste mês para nova deliberação.
O endividamento das famílias está em 49,8%, perto do recorde de 49,9%; o governo lançou em 4/5 o programa Novo Desenrola Brasil (Desenrola 2.0) para facilitar renegociação com juros menores.
A SPE afirmou que a projeção do Ministério da Fazenda para o PIB de 2026 é 2,3% e está em revisão com “viés de baixa”; o Banco Central estima crescimento de 2% para este ano, e o mercado projeta 1,92% para 2026.