Planos presidenciais citam violência infantil, mas priorizam punição
Análise do Unicef mostra propostas mais punitivas que preventivas nos programas dos cinco principais candidatos à Presidência em 2026

Planos dos cinco principais candidatos à Presidência em 2026 tratam violência contra crianças, mas priorizam medidas punitivas a ações de prevenção.
O Unicef pediu que os candidatos assumam compromissos em três eixos: violência dentro de casa, violência fora de casa e orçamento público para a infância.
O Unicef fez a análise; Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, afirma que repressão e prevenção são necessárias para garantir segurança e dignidade a cada criança.
O relatório cita dados do Anuário de Segurança Pública: em 2025, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta — quase 6 por dia —, maioria adolescentes, do sexo masculino e negros.
Houve aumento de 106% nos maus-tratos dentro de casa entre 2024 e 2025, com mais de 38 mil casos em 2025, segundo o levantamento citado na análise.
Enid Rocha Andrade da Silva, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, afirma que priorizar infância exige orçamento: sem orçamento, não há direito; é preciso detalhar ações e recursos.
A Fundação Abrinq registrou aumento de 51% no orçamento federal para crianças e adolescentes, de 3,3% em 2019 para 5% em 2025, concentrado em assistência social, educação e saúde.
A Política Nacional Integrada da Primeira Infância, criada em 2025, busca articular programas entre ministérios, mas especialistas dizem que propostas de candidatos ainda não demonstram priorização suficiente da primeira infância.
2.079 — mortes violentas de crianças e adolescentes em 2025
quase 6 — mortes por dia em 2025
106% — aumento nos maus-tratos domésticos entre 2024 e 2025
38.000+ — casos de maus-tratos em 2025
3,3% → 5% — participação do orçamento federal para infância de 2019 a 2025
"A violência não pode ser endereçada apenas com repressão, ou apenas com prevenção", disse Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil.
Eleitores devem avaliar se os planos de governo têm orçamento, articulação interministerial e metas claras para transformar promessas em políticas públicas até as eleições de 2026.