Prefeitura demoliu sede do Cruz da Esperança em 29 de julho
Tribunal proibiu novas intervenções no terreno até estudos sobre vestígios arqueológicos e bens culturais serem feitos

A Prefeitura de São Paulo demoliu na manhã de 29 de julho a sede do Grêmio Esportivo Recreativo Cruz da Esperança, na Zona Norte, em cumprimento a uma ordem de reintegração de posse para construir o Parque Campo de Marte.
Em 20 de agosto o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proibiu Prefeitura e concessionária de fazer novas intervenções físicas no solo ou subsolo do terreno até a realização de estudos técnicos sobre possíveis vestígios arqueológicos e bens culturais.
O Cruz da Esperança foi criado em 1958 por um grupo de taxistas negros e ocupava o terreno no Campo de Marte desde o fim da década de 1970; a sede era referência do futebol de várzea e recebeu jogadores como Basílio, Serginho Chulapa, Solito, Mauro, Casagrande, Viola e Ataliba.
Três dias após a demolição, o presidente do Cruz, Antônio Marcos, conhecido como Tio Toninho, concedeu entrevista em casa; visivelmente abatido, ele disse que ainda não havia saído de casa e mostrou álbuns de fotografias enquanto lembrava bailes black dos anos 1970 e 1980 e rodas de samba desde os anos 1990.
Mesmo sem a sede física, o samba continua acontecendo todos os finais de semana na região da Casa Verde, próximo à antiga sede do clube.
A decisão judicial de 20 de agosto foi motivada em parte por uma vistoria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizada em 18 de junho, que constatou potencial arqueológico relevante e pediu aprofundamento dos estudos antes de novas intervenções.
“A notícia pra nós foi muito ótima, se bem que atrasada porque chegou depois da demolição. Se chegasse antes eles não poderiam mexer”, lamentou Tio Toninho durante a entrevista.
29 de julho — demolição da sede do Cruz da Esperança
18 de junho — vistoria do Iphan que apontou potencial arqueológico
20 de agosto — decisão do TRF3 proibindo novas intervenções até estudos técnicos serem feitos
Os próximos passos são a realização dos estudos técnicos sobre vestígios arqueológicos e bens culturais no terreno, exigidos pela decisão do TRF3, antes de qualquer nova obra ou escavação.