Programa nuclear da Marinha lidera gastos militares em 2025
Verba do projeto saltou 4,5 vezes e chegou a R$ 1,4 bilhão, empatando com controle de tráfego aéreo.

O programa nuclear da Marinha recebeu R$ 1,4 bilhão em 2025, 4,5 vezes o valor de 2024 (R$ 311 milhões).
O aumento colocou o programa no topo do ranking de investimentos militares do país e empatou seus dispêndios com o controle do tráfego aéreo.
O projeto do caça Gripen ficou em quarto lugar, com R$ 965 milhões em 2025, abaixo dos R$ 1,6 bilhão de 2023; desde 2016 o Gripen liderava.
A entrega dos 36 caças contratados em 2014 está atrasada: 11 foram entregues, os 15 produzidos no Brasil não foram concluídos, e o último avião só deve chegar em 2032; o governo negocia a compra de mais 20 unidades.
A rubrica da Marinha refere-se ao desenvolvimento tecnológico ligado ao submarino nuclear Álvaro Alberto; R$ 953 milhões foram pagos a empresas contratadas, principalmente por serviços de engenharia.
A Força afirma que os recursos financiaram domínio do ciclo do combustível nuclear, implantação do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica e desenvolvimento do reator do submarino; a integração do reator ao casco ainda não começou.
O programa do submarino nuclear em rubrica própria consumiu R$ 649 milhões em 2025, ocupando o sétimo lugar no ranking, e obras em estaleiros receberam R$ 582 milhões.
O projeto de quatro submarinos convencionais de desenho francês recebeu R$ 461 milhões em 2025 e teve a última unidade lançada ao mar para testes; ambos os projetos saíram do acordo Brasil-França de 2008.
O programa nuclear remonta a 1979; a Marinha já construiu ultracentrífugas e teve disputa com a AIEA em 2004 sobre inspeções; o Brasil aderiu ao TNP em 1998.
O presidente Lula afirmou, em discurso na Avibrás em julho, que o Brasil precisou se armar por haver "muito maluco no mundo" e reclamou da adesão ao TNP sem cortes de arsenais por potências.
Para o submarino avançar, o emprego do combustível precisa ser vistoriado e aprovado pela AIEA, que discute acordos com o Brasil; há pressão por adesão a Protocolos Adicionais.
R$ 1,4 bilhão — gasto da rubrica nuclear da Marinha em 2025
R$ 311 milhões — gasto da mesma rubrica em 2024
R$ 965 milhões — gasto do programa Gripen em 2025
R$ 649 milhões — gasto do programa do submarino nuclear em rubrica própria
R$ 953 milhões — parte da verba destinada a empresas contratadas
11 — caças Gripen entregues até agora
2032 — previsão de chegada do último Gripen
2038 — previsão de entrada do submarino Álvaro Alberto ao mar
A próxima etapa é negociar com a AIEA a inspeção e o regime de fiscalização do combustível, e avançar a integração do reator ao casco para viabilizar testes marítimos.