Proposta dos EUA em out/2025 sugeria compra de aviões americanos por companhias brasileiras
Minuta americana mencionava compras de Boeing sem número fechado; governo brasileiro projetou cenário de 90 aeronaves em set/2025.

Negociadores dos Estados Unidos propuseram em outubro de 2025 que companhias aéreas brasileiras assumissem compromissos para comprar aeronaves fabricadas nos EUA, incluindo aviões da Boeing.
Um documento do governo brasileiro, de setembro de 2025, projetou hipótese de compras de 90 aeronaves; a minuta americana deixava o total em branco, com “[xx] aeronaves Boeing” para negociar depois.
A proposta americana fazia parte de uma minuta com 21 pontos apresentada nas tratativas de outubro de 2025.
O chanceler Mauro Vieira rejeitou a proposta durante as negociações realizadas em outubro de 2025; os termos apresentados pelos negociadores americanos não avançaram.
Em janeiro de 2026 as negociações voltaram a tratar do setor aeronáutico, mas sobre retirada de barreiras tarifárias e não tarifárias para jatos executivos americanos, sem compromisso de compra de Boeing para voos comerciais.
Em agosto de 2026 Brasil e Estados Unidos retomaram o diálogo comercial; o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores informaram que as discussões buscavam avançar em um acordo comercial, sem mencionar compras de aeronaves Boeing.
A Embraer é foco porque disputa jatos comerciais de menor capacidade, como a família E-Jets E2, e vem ampliando vendas no país.
Em setembro de 2025 a Latam anunciou compra de até 74 E195‑E2 (24 pedidos firmes e 50 opções), com valor de US$ 2,1 bilhões referente aos pedidos firmes.
Em julho de 2026 o Grupo Abra, controlador da GOL, anunciou acordo para adquirir até 45 E195‑E2; a definição sobre a destinação entre empresas do grupo ainda depende da estratégia da companhia.
A composição das frotas no mercado brasileiro é diversa: a GOL opera Boeing 737; a Latam usa modelos da Boeing e da Airbus; a Azul tem principalmente Airbus, Embraer e outros fabricantes.
O MDIC classifica a indústria aeronáutica brasileira como estratégica, citando capacidade de projetar, fabricar, certificar e exportar aeronaves.
Embraer e MDIC não se pronunciaram até o fechamento da reportagem.
21 pontos — tamanho da minuta americana apresentada em outubro de 2025
[xx] aeronaves Boeing — espaço em branco na minuta para negociar a quantidade
90 aeronaves — projeção presente em documento brasileiro de setembro de 2025
74 E195‑E2 — compra anunciada pela Latam em setembro de 2025 (24 firmes, 50 opções)
US$ 2,1 bilhões — valor referente aos pedidos firmes da Latam
Até 45 E195‑E2 — acordo anunciado pelo Grupo Abra em julho de 2026
As discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos seguem com objetivo de avançar em um acordo comercial entre os dois países.