Reajuste do salário mínimo adiciona quase R$ 10 bilhões ao custo de 2027
A elevação do piso, ligada ao INPC e ao PIB, amplia gastos obrigatórios com Previdência, BPC e abono salarial.

A nova estimativa de correção do salário mínimo adiciona cerca de R$ 10 bilhões às despesas projetadas da União para 2027.
Esse aumento reduz a margem para despesas discricionárias por causa do limite real de 2,5% ao ano do Arcabouço Fiscal.
A correção aplica o INPC acumulado em 12 meses até novembro mais a variação positiva do PIB de dois anos anteriores; a revisão para cima ocorreu porque inflação e atividade se mostraram resilientes.
A legislação obriga que benefícios previdenciários e assistenciais não sejam inferiores ao mínimo, o que reajusta automaticamente pagamentos do INSS, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e do Abono Salarial (PIS/Pasep).
Estudos da Secretaria de Orçamento Federal apontam que cada R$ 1,00 de aumento no salário mínimo amplia as despesas anuais da União em aproximadamente R$ 350 a R$ 400 milhões, com a Previdência respondendo pela maior parte.
O efeito cascata sobre gastos obrigatórios comprime verbas de custeio e investimentos em saúde, educação e infraestrutura no orçamento federal.
A trajetória das despesas obrigatórias é monitorada pela curva de juros futuros na B3; acelerações nos gastos vinculados ao mínimo tendem a pressionar NTN-B e prefixados de longo prazo.
A situação exige rigor no cumprimento das metas do Arcabouço Fiscal e a apresentação de medidas compensatórias pela equipe econômica para evitar perda de capacidade de investimento.