Redes viram novo palanque; negros enfrentam exclusão digital
O ambiente informal e algorítmico das plataformas favorece narrativas controladas por candidatos e pode transformar influenciadores em políticos electivos.

A migração da disputa política para redes sociais amplia barreiras para pessoas negras e reforça desigualdades já existentes.
A mudança permite que perfis notórios sem experiência política, majoritariamente brancos, convertam visibilidade em candidatura — o texto lembra Tiririca, eleito deputado federal, e cita Volodymyr Zelensky, que venceu a Ucrânia em 2019 com 73,22% no segundo turno.
Nas redes, o político controla tema, momento, formato e narrativa, fala prioritariamente ao seu público e não a toda a sociedade; Facebook, WhatsApp, Twitter e LinkedIn são citados como canais centrais.
Os algoritmos favorecem bolhas e comunidades de interesse, e pesquisas apontam desigualdades no alcance de conteúdos produzidos por pessoas negras, o que dificulta transformar presença digital em capital político.
A desregulamentação torna possível a divulgação de inverdades, agressões e falas que seriam reprovadas em debates formais — inclusive exemplos extremos como “sim, eu sou machista”.
A autora Liliane Rocha profetiza que, se o rumo atual continuar, um influenciador homem e possivelmente branco pode vir a se eleger presidente apoiado majoritariamente por campanha nas redes sociais.