Relatório da UNCTAD: países pobres ficam para trás nas exportações digitais
Serviços já pesam 27% das exportações em 2025; países menos desenvolvidos têm só 16% das exportações em formato digitalizável

Relatório “Atualização do Comércio Mundial: Os países menos desenvolvidos estão atrasados nas exportações digitais”, da UNCTAD, mostra desigualdade digital global.
A UNCTAD recomenda que países menos desenvolvidos invistam em infraestrutura e capacidades digitais para melhorar participação em negócios e decisões internacionais.
Os serviços representam mais de 70% dos insumos intermediários globais; em 2025, serviços foram 27% das exportações mundiais, dos quais 56% são digitalizáveis.
Nos países menos desenvolvidos, exportações digitais equivalem a apenas 16% dos serviços exportados, muito abaixo da média mundial.
Especialistas do ecossistema Porto Digital, em Recife, afirmam que produtos digitais — software, algoritmos e IA — são vetor importante de exportações, com startups fechando negócios internacionais virtualmente.
Fatores que explicam a defasagem: alto custo de conectividade, baixa capacidade técnica e concentração de poder de IA em poucos países e empresas.
O Brasil tem estoques de energias renováveis, minerais de terras raras e petróleo, condições que podem torná-lo jogador relevante no comércio digital internacional.
Contra o avanço brasileiro pesam o desempenho educacional no PISA 2025, a desigualdade social persistente e a preferência por neoextrativismo para exportação de commodities.
70%+ — participação dos serviços nos insumos intermediários globais
27% — participação dos serviços nas exportações mundiais em 2025
56% — parcela dos serviços considerada digitalizável
16% — participação das exportações digitais entre os serviços dos países menos desenvolvidos
Países menos desenvolvidos que não aumentarem investimento em infraestrutura digital perderão espaço em mesas que definem regras do comércio global.
Felipe Sampaio, cofundador do Centro Soberania e Clima, ex-chefe da assessoria especial do ministro da Defesa, ex-diretor de programa no Ministério do Empreendedorismo, assina a análise.