Richard Thompson defende políticas e indústria na luta contra microplásticos
Pesquisador da Universidade de Plymouth é conferencista da ESPCA na Unicamp e pede regras, testes e rotulagem.

Richard Thompson, professor de Biologia Marinha e diretor do Instituto Marinho da Universidade de Plymouth, defende envolver indústria e políticas públicas para enfrentar a poluição por microplásticos.
A proposta tem consequências práticas: Thompson pede testes de segurança de materiais, sistemas de identificação e rotulagem e mecanismos que incentivem empresas a investir em alternativas sustentáveis.
Thompson é um dos conferencistas da “Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos”, realizada na Unicamp em parceria com a UFSCar e financiada pela Fapesp; o evento vai até o próximo dia 11.
O pesquisador afirma que sua equipe foi a primeira a descrever microplásticos há cerca de 20 anos e que hoje essas partículas estão no ar, na água e na comida; “Soluções para a poluição por partículas pequenas dependem, em grande medida, de mudanças no desenvolvimento e no ciclo de vida de todos os produtos plásticos”, disse ele.
Thompson explica que o objetivo não é acabar com a produção de plástico, mas reduzir a poluição criando produtos mais seguros e sustentáveis que gerem menos impacto ao se degradarem.
Ele alerta que a poluição plástica inclui desde resíduos visíveis até microplásticos e nanoplásticos e que fragmentos maiores podem degradar-se em partículas menores, reforçando a necessidade de ações em toda a cadeia de produção.
Thompson elogia a estrutura da Unicamp e defende colaboração entre química, biologia, ciências ambientais e ciências sociais para desenvolver soluções viáveis social e economicamente.
A ESPCA reúne 125 pesquisadores de 35 países — 75 brasileiros e 50 estrangeiros — selecionados entre 1.103 inscritos; a programação inclui palestras, aulas teóricas e práticas, apresentações, desenvolvimento de projetos e atividades no CNPEM.