Setor audiovisual reclama: mais empresas, mesmo FSA em termos reais
PAI 2026 aprovada em março mudou linhas, mas atraso na contratação e queda real do FSA deixam produtores sem resposta

O número de produtoras triplicou, mas o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) encolheu em termos reais.
O atraso no lançamento das linhas do PAI 2026 fará com que mudanças só cheguem à base pelo menos um ano após a contratação das linhas.
O PAI 2026 foi aprovado em março e redesenhou o Plano Anual de Investimentos por gêneros e etapas; o Comitê Gestor do FSA aprovou o novo desenho.
Hoje convivem três gerações de produtoras: empresas formadas antes da criação da ANCINE e da Secretaria do Audiovisual; empresas surgidas a partir da Lei da TV Paga (ciclo iniciado em 2011); e empresas que cresceram pela Lei Paulo Gustavo.
Em 2013 havia pouco menos de 4 mil produtoras registradas na ANCINE; em agosto de 2026 são pouco mais de 12 mil, segundo dados do OCA/ANCINE.
O desembolso do FSA atingiu R$ 547,9 milhões nominais em 2018, equivalente a cerca de R$ 821,9 milhões em junho de 2026 pelo IPCA; em 2025 foram R$ 553,9 milhões nominais, ou R$ 572,5 milhões corrigidos, 30% a menos que o pico histórico em poder de compra.
A Lei Paulo Gustavo injetou R$ 3,862 bilhões em estados, municípios e DF, com execução obrigatória até o final de 2024, mas não deixou caminho de permanência para as empresas criadas.
A Lei da TV Paga e o Programa Brasil de Todas as Telas (2014) ampliaram demanda e empresas, mas não houve política continuada; a Política Nacional Aldir Blanc foi pensada como financiamento federativo continuado, diferente da Paulo Gustavo.
R$ 547,9 milhões — desembolso nominal do FSA em 2018
R$ 821,9 milhões — valor aproximado de 2018 corrigido pelo IPCA até junho de 2026
R$ 553,9 milhões — desembolso nominal do FSA em 2025
R$ 572,5 milhões — desembolso do FSA em 2025 corrigido pelo IPCA
4.000 — produtoras registradas em 2013 (aprox.)
12.000 — produtoras registradas em agosto de 2026 (aprox.)
O setor conclui que a capacidade de financiamento não acompanhou a expansão de empresas, produzindo sensação generalizada de escassez e insatisfação.
É preciso agora estruturar uma política pública continuada de fomento ao audiovisual que garanta caminhos de desenvolvimento e permanência; a liderança dessa articulação caberá ao Comitê Gestor do FSA ou à ANCINE?