Justiça

STF decide que multinacionais podem ser taxadas por lucros no exterior

Corte validou cobrança de IRPJ e CSLL sobre reflexo de lucros de controladas, criando precedente para empresas com operações no Brasil.

PRedação Política.SP27 de ago. de 2026, 18h33· 14 acessos
STF decide que multinacionais podem ser taxadas por lucros no exterior
Reprodução: www.poder360.com.br

O STF decidiu, por maioria, que é possível tributar empresas brasileiras por lucros de controladas e coligadas no exterior.

A decisão evita um prejuízo estimado de R$ 22 bilhões à União, segundo o anexo de riscos fiscais da LDO para 2026.

O voto vencedor foi o divergente do ministro Gilmar Mendes, que reconheceu o direito da Receita Federal cobrar CSLL e IRPJ da Vale sobre lucros de unidades no exterior.

O placar tem maioria de 7 a 2: Gilmar Mendes, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram a favor; Dias Toffoli divergiu parcialmente; Luiz Fux e André Mendonça acompanharam posição contrária.

O julgamento discute a incidência do IRPJ e da CSLL via MEP (Método de Equivalência Patrimonial) sobre lucros de coligadas no exterior, mesmo em países com tratados para evitar bitributação.

O relator, ministro André Mendonça, considerou a matéria infraconstitucional e de competência do STJ; ele afirmou que, se vencido nessa questão, votaria a favor dos contribuintes.

Para a corrente vencedora, encabeçada por Gilmar Mendes, o acréscimo patrimonial causado pelos lucros no exterior é incorporado pela controladora brasileira antes da distribuição de dividendos, tornando inaplicáveis os tratados naquele momento.

Gilmar Mendes aplicou esse entendimento à Vale, reconhecendo como acréscimo patrimonial positivo os lucros de controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo.

O ministro Dias Toffoli aceitou parcialmente o pedido da União, reconhecendo o uso do MEP constitucional apenas em relação à controlada da Vale domiciliada nas Bermudas, por não haver tratado com o Brasil.

7 a 2 — placar majoritário a favor da taxação

R$ 22 bilhões — perda estimada à União se a tese fosse derrotada, segundo a LDO 2026

Bélgica, Dinamarca, Luxemburgo — países citados como sedes de controladas da Vale

Bermudas — controlada citada sem tratado com o Brasil

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