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Transição energética virou questão de segurança nacional

Dependência de gás e petróleo da Rússia e do Irã empurrou Europa e China a acelerar investimentos em energia limpa.

Redação POLITICA.SP27 de ago. de 2026 · 05h332 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Transição energética virou questão de segurança nacional
Reprodução: valor.globo.com

Europa e China aceleraram a transição energética por ver o fornecimento de gás e petróleo virar risco de segurança nacional.

A mudança já se traduziu em investimento: a Europa gastou cerca de US$ 260 bilhões em energia limpa em 2021 e quase US$ 390 bilhões em 2022.

A participação da Rússia no abastecimento de gás da UE subiu de cerca de 30% em 2010 para mais de 45% em 2019; no fim de 2021 os estoques europeus estavam no nível mais baixo em quase uma década; em 2022 as importações russas por gasoduto caíram pela metade, redução estimada em 83 bilhões de metros cúbicos, e o gás do principal mercado europeu custou, no verão de 2022, mais de quatro vezes o valor do verão anterior.

Em 2025, o bloqueio do estreito de Ormuz afetou uma rota por onde passaram aproximadamente 25% do comércio marítimo mundial de petróleo; a escalada no Oriente Médio levou ao fechamento do transporte de cargas.

A China é o maior mercado de veículos elétricos e responde por mais da metade das vendas globais; para Nivalde de Castro, coordenador do Gesel da UFRJ, “esses países [Rússia e Irã] usam gás e petróleo como arma econômica, ou como arma bélica”.

A IEA estima que em 2026 serão investidos US$ 3,4 trilhões em energia: cerca de US$ 2,2 trilhões em redes, armazenamento, renováveis, nuclear, combustíveis de baixa emissão, eficiência e eletrificação, e US$ 1,2 trilhão em petróleo, gás e carvão.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em janeiro que o país precisa de soberania na área energética: “A gente não pode ficar dependendo de nenhum país do mundo e de tecnologia de outros países”.

O Brasil tem matriz elétrica majoritariamente renovável: quase 87% da geração de eletricidade veio de fontes renováveis em 2025; considerando apenas fontes efetivamente limpas, 49,8% da oferta interna de eletricidade foi limpa, enquanto 49,5% da matriz energética total vieram de fontes limpas em 2025.

A guerra na Ucrânia expôs outra dependência: em 2025 cerca de um quarto das importações brasileiras de fertilizantes vieram da Rússia; no mesmo ano 23% do óleo diesel consumido no país foi importado, por isso o Ministério de Minas e Energia criou uma sala de situação para acompanhar o abastecimento.

O ministro Alexandre Silveira diz que o Brasil “não precisa escolher uma única rota” e que a transição será gradual, com tecnologias convivendo por décadas; uma medida recente foi elevar temporariamente a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, em vigor desde o início de agosto, que o MME estima reduzir em 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina.

A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, criou programas para combustíveis sustentáveis e políticas para substituir combustíveis importados por produção nacional.

US$ 260 bilhões — investimento europeu em energia limpa em 2021

US$ 390 bilhões — investimento europeu em energia limpa em 2022

83 bilhões m³ — redução estimada nas importações russas de gás em 2022

25% — participação do comércio marítimo mundial de petróleo pela rota afetada em 2025

US$ 3,4 tri — investimento global em energia estimado pela IEA para 2026

87% — geração elétrica brasileira vinda de renováveis em 2025

23% — participação das importações no diesel consumido no Brasil em 2025

900 milhões litros/ano — redução estimada nas importações de gasolina com E32

O próximo passo concreto é o acompanhamento contínuo do abastecimento pelo Ministério de Minas e Energia pela sala de situação, e a implementação de programas criados pela Lei do Combustível do Futuro para reduzir importações.