Vorcaro pediu a Gilmar apoio para causa bilionária sobre usinas em 11 de abril de 2024
O encontro não rendeu o voto favorável: Gilmar votou contra nas ações do setor e ficou vencido em julgamentos posteriores

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu com o ministro Gilmar Mendes no STF em 11 de abril de 2024 para pedir que ele votasse a favor de uma causa bilionária do setor sucroalcooleiro.
A Advocacia-Geral da União estimou que, se as usinas vencessem, o valor total das ações poderia chegar a R$ 145 bilhões, e o Banco Master mantinha bilhões em créditos em precatórios que seriam afetados.
Vorcaro tinha contrato de R$ 500 mil mensais com o empresário Chiquinho Feitosa, ex-senador e então cunhado de Gilmar Mendes, e combinou com a secretária do gabinete do ministro horário de 18h em 11 de abril de 2024; Vorcaro planejou ir sozinho das 18h às 18h30 e depois receber duas pessoas, entre elas o ex-AGU Bruno Bianco, e a secretária confirmou “Uns 15” minutos.
O processo que interessava a Vorcaro era o ARE 1327995, da Destilaria Alcídia S/A; Gilmar Mendes pediu que a ação fosse discutida presencialmente um mês antes do julgamento e o tema voltou à pauta em outubro de 2024.
Em outubro de 2024, os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes votaram contra o pleito da destilaria; Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques votaram a favor, e a empresa venceu, embora a União tenha interposto embargos.
O gabinete do ministro afirmou que a audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do STF, com presença de advogados do Banco Master, e que Gilmar Mendes votou contra o pagamento de precatórios nas ações do setor; em STP 976-ED ele votou contra a liberação de mais de R$ 5 bilhões.
Em troca de facilitar o contato, Chiquinho Feitosa escreveu a Vorcaro: "Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro!".
A União interpôs embargos após a decisão de outubro de 2024; o caso transitou em julgado em outubro de 2025.