Advogada do Tocantins recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024
Auditoria do banco mostra despesas altas; diálogos citam ‘canal direto com o STF’ e a PF investiga

A advogada Dalide Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024 por meio do escritório Alves Corrêa.
A auditoria interna do Banco Master registra R$ 215 milhões em despesas com escritórios de advocacia em 2024, contra R$ 76 milhões em 2023, e a Polícia Federal apreendeu diálogos entre diretores mencionando “canal direto com o STF”.
A PF encontrou os documentos da auditoria e os diálogos entre dirigentes do Banco Master, em que o então diretor financeiro Ângelo Ribeiro ordena a transferência justificando “canal direto com o STF”.
O escritório Alves Corrêa foi o segundo maior recebedor, com R$ 33 milhões; o escritório da advogada Viviane Barci recebeu R$ 40 milhões.
Dalide nega ter atuado no Supremo para o banco: “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”, afirmou sua nota.
A defesa disse que a atuação do escritório se restringiu a processos de empresas que venderam créditos ao Banco Master, com trabalho em primeira e segunda instâncias.
Dalide tem laços empresariais e políticos no Tocantins: é sócia da Agropecuária Monte Sião, sediada em Porto Nacional, foi filiada ao Agir e teve domicílio eleitoral em Porto Nacional.
Em abril, seu nome foi sondado para a primeira suplência na chapa de Carlos Gaguim (União Brasil) ao Senado; Gaguim optou por Muniz Araújo.
A sobrinha de Dalide, Priscila Alencar Veríssimo de Souza, foi nomeada procuradora-geral de Palmas durante a gestão interina de Carlos Velozo (Agir), e atuava no escritório Alves Corrêa e Veríssimo Advocacia.
Em maio, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) anunciou que protocolaria ação popular sobre um aporte de R$ 117 milhões do regime próprio de Maceió, citando Dalide na lista de investigados pela comissão.
R$ 33 milhões — valor recebido pelo escritório Alves Corrêa em 2024
R$ 215 milhões — despesas com escritórios de advocacia do Banco Master em 2024
R$ 76 milhões — despesas em 2023
R$ 40 milhões — recebido pelo escritório de Viviane Barci
R$ 117 milhões — aporte de Maceió citado por Renan Calheiros
A Polícia Federal ainda não concluiu sobre a legalidade dos pagamentos ou sobre os serviços prestados relacionados aos R$ 33 milhões.
Renan Calheiros informou que protocolará a ação popular sobre o aporte de R$ 117 milhões, e a auditoria do banco apontou necessidade de entender o padrão dessas despesas.