BC estuda limitar crédito sem garantia com base na renda do cliente
Medidas incluem mais responsabilidade dos bancos, transparência e implantação gradual, sem aumento imediato de capital.

O Banco Central estuda limitar a concessão de crédito sem garantia segundo a renda de cada cliente.
As propostas preveem maior responsabilização dos bancos e regras para tornar mais claras custos e condições das operações.
As medidas devem ser implementadas e anunciadas gradualmente, e aumento das exigências de capital não integra a primeira etapa.
O pacote considera princípios de capacidade de pagamento (affordability) e adequação ao perfil do cliente (suitability).
O BC avalia modelos estrangeiros, com destaque para Cingapura, que vincula limites de crédito a faixas de renda.
Em Cingapura, para renda anual até 30 mil dólares de Cingapura, limite equivale a dois meses de salário; entre 30 mil e 120 mil, limite sobe para quatro meses; acima disso a restrição não se aplica.
O plano prevê que bancos avaliem com rigor a situação financeira e o perfil do cliente antes de conceder crédito e verifiquem se o cliente arca com parcelas sem comprometer excessivamente sua renda.
O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda acumulada em 12 meses em julho, e a Serasa registrou 83,9 milhões de consumidores inadimplentes.
Na disputa eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva colocou em prática renegociações e perdão de dívidas, enquanto Flávio Bolsonaro prometeu programa de compra de débitos e congelamento temporário de dívidas, caso eleito.