Clubes ameaçam paralisar o Brasileiro por fim das casas de apostas
Reunião entre governo e CBF marcada para 29 foi cancelada após risco de boicote; clubes pedem transição financeira

Clubes da elite do futebol brasileiro discutem paralisar o Campeonato Brasileiro em reação à medida provisória que baniu casas de apostas no país.
A suspensão da MP põe em risco orçamentos de 2026 e compromissos previstos para 2027, e levou ao cancelamento da reunião entre governo federal e CBF marcada para 29 desta mês.
Dirigentes debateram a paralisação durante conversas antes da reunião convocada pelo governo e intermediada pela CBF; a ausência dos clubes na reunião seria a primeira forma de pressão.
Os clubes pleiteiam um período de transição antes do fim das bets e querem solução além da linha de crédito com juros mais baixos apresentada pelo governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na segunda-feira (28) um projeto sobre futebol feminino e afirmou: "Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol"; ele acrescentou que os melhores momentos da história do futebol brasileiro "não existia a bets".
Em 2025, o patrocínio combinado das casas de apostas aos clubes da Série A somou cerca de R$ 1,03 bilhão, um salto de ~66% sobre os R$ 618 milhões de 2024, segundo levantamento da consultoria Convocados.
A CBF é diretamente afetada pela MP porque mantém contrato com o site de apostas Betano; a entidade foi acionada pelo governo como interlocutora e, procurada novamente nesta terça, manteve-se sem manifestação.
A última paralisação do Campeonato Brasileiro ocorreu entre março e agosto de 2020, no auge da pandemia de Covid-19.
Próximo passo: os clubes mantêm a ameaça de boicote ao Nacional para forçar negociações e pressionar a CBF a assumir papel ativo na discussão.