Copom reduz Selic a 13,75% e acende alerta sobre custo da dívida
Dívida bruta atingiu R$ 10,8 trilhões (81,9% do PIB) e juros pagos somaram R$ 1,1605 trilhão em 12 meses até junho de 2026

O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano, mas manteve a sinalização de que o ciclo de combate à inflação não acabou.
A dívida bruta do Governo Geral chegou a R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, equivalentes a 81,9% do PIB, e os juros nominais pagos pelo setor público totalizaram R$ 1,1605 trilhão nos 12 meses até junho de 2026 (8,80% do PIB).
A ata do Banco Central projeta inflação de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no 1º trimestre de 2028, e aponta que as expectativas ainda estão desancoradas enquanto a atividade econômica segue resiliente.
Em 2025, os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 1,008 trilhão, ou 7,91% do PIB; o BC estima que um aumento de 1 ponto percentual na Selic, mantido por 12 meses, acrescentaria cerca de R$ 57,3 bilhões à dívida bruta.
O Copom destaca que a política fiscal afeta a demanda no curto prazo e também a percepção de sustentabilidade da dívida e o prêmio de risco, o que pode elevar a taxa neutra de juros e reduzir a eficácia da política monetária.
O governo enviou o PLOA 2027 ao Congresso em 31 de agosto prevendo superávit primário de R$ 18,6 bilhões e R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família; 17 dias depois anunciou reajuste de 15,04% no programa, elevando o mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio para cerca de R$ 777.
O Executivo estima impacto adicional de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de cerca de R$ 22,7 bilhões em 2027 com o reajuste do Bolsa Família, levantando a pergunta sobre compatibilizar nova despesa permanente com a necessidade de política monetária ainda restritiva.
A conclusão da ata é que romper o ciclo entre juros caros e dívida elevada depende de combinar expectativas de inflação ancoradas, responsabilidade fiscal, crescimento de produtividade, previsibilidade institucional e trajetória sustentável da dívida pública.