Estagnação de auxílios pode provocar retração severa no interior do Brasil
Estudo do Made/FEA-USP projeta perdas de renda e aumento expressivo da pobreza se benefícios ficarem congelados.

Estagnação ou cortes em auxílios sociais e previdenciários podem causar retração severa na economia de municípios do interior.
O levantamento projeta que a renda agregada do interior ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com valorização real dos benefícios e que, em áreas mais afetadas, a queda chegaria a 17%–18%; a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de pessoas para a pobreza, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza.
O estudo foi lançado nesta semana pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Faculdade de Economia e Administração da USP; analisou aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) e usou como base os anos de 2022 a 2025, comparando-os ao período 2019–2022 sem ganhos reais.
Dos 5.569 municípios brasileiros, aproximadamente 4.000 ficam fora das regiões metropolitanas; nessas cidades o peso das transferências públicas é o dobro do observado nos grandes centros urbanos, com exemplo no Ceará: benefícios representam 22% da renda agregada na capital e 40% nas cidades do interior.
Os cenários mais críticos seriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí (queda de 17%–18% da renda total); Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas próximas de 15%; Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia entre 10% e 13%; e estados como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina até 6,5%.
“Nada garante dignidade ou sobrevivência do comércio local se travarem a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda”, afirmou a co-diretora do Made, a economista Luiza Nassif.
O estudo projetou os efeitos econômicos para os próximos três anos, apontando a necessidade de acompanhar a evolução da renda dos benefícios nesse período.