Economia

Estagnação de auxílios pode provocar retração severa no interior do Brasil

Estudo do Made/FEA-USP projeta perdas de renda e aumento expressivo da pobreza se benefícios ficarem congelados.

PRedação Política.TO17 de out. de 2026, 11h02
Estagnação de auxílios pode provocar retração severa no interior do Brasil
Vladimir Musaelyan (CC0) via Wikimedia Commons

Estagnação ou cortes em auxílios sociais e previdenciários podem causar retração severa na economia de municípios do interior.

O levantamento projeta que a renda agregada do interior ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com valorização real dos benefícios e que, em áreas mais afetadas, a queda chegaria a 17%–18%; a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de pessoas para a pobreza, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza.

O estudo foi lançado nesta semana pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Faculdade de Economia e Administração da USP; analisou aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) e usou como base os anos de 2022 a 2025, comparando-os ao período 2019–2022 sem ganhos reais.

Dos 5.569 municípios brasileiros, aproximadamente 4.000 ficam fora das regiões metropolitanas; nessas cidades o peso das transferências públicas é o dobro do observado nos grandes centros urbanos, com exemplo no Ceará: benefícios representam 22% da renda agregada na capital e 40% nas cidades do interior.

Os cenários mais críticos seriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí (queda de 17%–18% da renda total); Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas próximas de 15%; Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia entre 10% e 13%; e estados como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina até 6,5%.

“Nada garante dignidade ou sobrevivência do comércio local se travarem a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda”, afirmou a co-diretora do Made, a economista Luiza Nassif.

O estudo projetou os efeitos econômicos para os próximos três anos, apontando a necessidade de acompanhar a evolução da renda dos benefícios nesse período.

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