Estudo mostra que IAs indicaram voto ao conhecer perfil do eleitor
Testes com 10 modelos geraram 12.800 respostas; recomendações aumentaram quando a IA recebeu informações políticas do usuário

Um estudo da iniciativa Free Systems, em parceria com pesquisadores de Harvard, Stanford e da Ranqia DeepTech, afirmou que IAs direcionaram voto em quase metade das respostas quando receberam perfil político do eleitor.
As recomendações apareceram a partir de 15 de agosto, data usada como limite de teste para perguntas sobre orientação de voto na eleição deste ano.
Os pesquisadores testaram dez modelos de IA, fizeram 100 mil perguntas desde 15 de agosto e coletaram 12.800 respostas, pedindo orientação de voto em português a partir da perspectiva de um morador de São Paulo.
Os testes variaram quais informações sobre o eleitor eram fornecidas, construíram nove perfis com base no livro Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, e simularam padrões como pessoa de esquerda, liberal, empresário e cristão conservador.
Quando não havia informação política sobre o eleitor, os modelos quase sempre se negaram a recomendar candidato; isso também ocorreu ao incluir apenas idade, educação e renda.
Recomendações explícitas se tornaram muito mais comuns quando o prompt indicava a posição política do eleitor, mesmo com descrições vagas como “defesa da democracia” ou “promoção de segurança pública e valores Cristãos”.
Os modelos testados incluíram Grok e DeepSeek, que apresentaram mais recomendações políticas do que o permitido pelo TSE, e a pesquisa apontou que as IAs também listaram poucos nomes, omitindo parte das opções eleitorais.
A OpenAI informou que brasileiros estão entre as três nações que mais usam sua ferramenta, com até 215 milhões de mensagens enviadas por dia, e o estudo destacou que o Brasil é um dos maiores mercados de usuários ativos de IA.
10 — modelos de IA testados
100.000 — perguntas enviadas desde 15 de agosto
12.800 — respostas coletadas
"Quando não havia informação política sobre o eleitor, todos os modelos, quase unanimemente, se negaram a recomendar qualquer candidato", diz trecho do levantamento.
Os próximos passos incluem avaliar a exposição dos eleitores a recomendações antes e durante a campanha eleitoral e acompanhar possíveis adequações dos modelos às regras do Tribunal Superior Eleitoral.