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Judicialização foi o principal motor da expansão de cursos de Medicina desde 2015

Relatório do MEC mostra crescimento de 181 para 467 cursos entre 2010 e 2024, com pior desempenho nos cursos autorizados por decisão judicial

Redação POLITICA.TO24 de set. de 2026 · 19h010 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Judicialização foi o principal motor da expansão de cursos de Medicina desde 2015
Reprodução: pautanoticias.com.br

Processos regulatórios motivados por decisões judiciais impulsionaram a expansão de cursos de Medicina no Brasil a partir de 2015.

O relatório Panorama da Formação Médica no Brasil, produzido pela Dimes/Seres do MEC com dados do Censo do Inep, cobre 2010 a 2024 e mostra a escala da mudança.

A oferta de cursos de Medicina cresceu 158%, de 181 para 467; nas universidades federais o aumento foi de 74,5%; em instituições privadas com fins lucrativos os cursos subiram 550%.

O relatório avaliou o desempenho no Enamed 2025 por localização, porte do município e origem da autorização (protocolo administrativo, edital do Programa Mais Médicos ou decisão judicial).

Dos 13 cursos abarcados no recorte judicial, 30,8% alcançaram resultado satisfatório no Conceito Enade; 350 instituições foram avaliadas no Enamed.

Universidades estaduais e federais tiveram 97% e 95% de desempenho satisfatório, respectivamente; universidades municipais registraram 31%; instituições privadas com fins lucrativos, 41%.

Desde abril de 2025, o Enamed avalia a proficiência dos estudantes de medicina; em junho a Medida Provisória nº 1370 condicionou o registro profissional de novos médicos à aprovação no exame.

Até 2013, autorizações de cursos de Medicina seguiam protocolo administrativo; depois vieram editais do Programa Mais Médicos; a partir de 2015 surgiram autorizações por decisões judiciais fora dos critérios desses editais.

A suspensão da publicação de novos editais em 2018 por cinco anos elevou o volume de demandas e liminares que obrigaram o MEC a processar pedidos de autorização e aumento de vagas sem os critérios do edital.

Em janeiro de 2023, o Supremo Tribunal Federal determinou que esses pedidos fossem analisados pelos critérios da Lei dos Mais Médicos; com esses parâmetros, o MEC autorizou menos de 10% dos quase 60 mil pedidos.

Em 2026, a Seres instaurou processos de supervisão contra 93 cursos de Medicina de 89 instituições por desempenho insatisfatório, aplicando medidas cautelares como suspensão de ingresso, redução de vagas (50% ou 25%) e suspensão de contratos do Prouni e do Fies.

A expansão foi marcada pela interiorização: o número de municípios com ao menos um curso de Medicina subiu de 88 para 266; em 2024, 74,9% das graduações de Medicina estavam no interior.

No recorte regional, o Nordeste registrou a maior ampliação de cursos, com 255% de aumento.