Pastor diz: “O voto deveria ser do cidadão e não da religião”
Pesquisa Iser/Quaest com 15 mil entrevistas mostra ampla resistência dos fiéis à politização das igrejas.

"O voto deveria ser do cidadão e não da religião", afirmou o pastor Lucas Oliveira, 30 anos, da Igreja Batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest registrou: 83% são contra indicação de voto por pastores e padres, 82% desaprovam discussões políticas durante cultos e missas, e 90% rejeitam campanhas eleitorais em espaços religiosos.
O estudo ouviu 15 mil pessoas em 412 municípios e aponta que evangélicos representam 29% da população; entre eles, 70% são pentecostais, 17% protestantes e 10% sem igreja, com a Assembleia de Deus reunindo 32% dos fiéis.
Lucas Oliveira declarou que a politização dos templos cresceu desde as eleições legislativas dos anos 1990 e se intensificou a partir de 2018, gerando divisões e feridas emocionais nas congregações.
Lívia Reis, pesquisadora do Iser, afirmou que "é mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos", destacando influência de valores e identidades religiosas mais que transferência direta de votos.
O pastor Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina em Natal e integrante da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, disse: "A luta sempre foi contra a unificação do Estado com a religião".