Surto de sarampo nos EUA soma 4,4 mil casos e ameaça o Brasil
Mudanças no calendário vacinal americano e discursos antivacina elevam risco de importação; Brasil tem 61 casos este ano

Os Estados Unidos registram mais de 4,4 mil casos de sarampo e três mortes neste ano, com 98% dos infectados não totalmente vacinados.
As mudanças do governo americano em agosto — reduzindo imunizantes recomendados de 17 para 11 e separando a tríplice viral em três vacinas — pressionam o Brasil, que tem 61 casos este ano, a maioria importada.
Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, afirma que o governo americano chancelou discursos negacionistas e que o secretário de Saúde dos EUA é declaradamente antivacina.
Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), diz que as novas recomendações nos EUA foram motivadas por política, não por ciência, e são inviáveis porque as vacinas individualizadas não são fabricadas há quase 20 anos.
A Organização Panamericana de Saúde registra mais de 56 mil casos no continente e pelo menos 80 mortes, elevando o risco de reintrodução do sarampo no Brasil.
O Brasil reconquistou a certificação de área livre de transmissão sustentada do sarampo em 2024; o certificado havia sido perdido em 2019 após surto com 19 mil casos em São Paulo, segundo Gatti.
Coberturas vacinais na primeira e segunda doses da tríplice viral foram 88% e 66% em 2023; subiram para 96% e 78% em 2024; taxas preliminares deste ano são 95% e 80%.
Para bloquear transmissão, as autoridades brasileiras confirmam casos, isolam doentes, monitoram contatos e aplicam bloqueio vacinal nas comunidades afetadas.
Em São Paulo foram aplicadas quase 4 milhões de doses extras este ano; no Amazonas, com 17 casos confirmados em setembro e outubro, foram quase 192 mil doses.
"A vacina contra o sarampo é de bloqueio. Quem se vacina não pega nem transmite", disse Eder Gatti, ao relacionar o aumento de casos ao discurso negacionista nos EUA.
Manter cobertura de 95% da população é o próximo passo prático indicado por Cunha e Gatti para proteger vulneráveis e preservar a certificação do Brasil.