Origem da crise é o desrespeito à Constituição
A quebra da separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário abriu caminho para impasses no STF e na eleição presidencial.

O desrespeito à Constituição e à divisão entre os três Poderes gerou a atual crise institucional.
A eleição presidencial ocorre em ambiente de rejeição; o Supremo Tribunal Federal vive impasse inédito; o Congresso não dispõe de lideranças com estatura institucional.
A Constituição de 1988 fixou a divisão harmônica de atribuições entre os três Poderes após 21 anos de submissão do Legislativo e do Judiciário ao Executivo durante a ditadura.
Desde então o país passou por solavancos que testaram o desenho institucional, mas a geração subsequente mostra inaptidão em seguir os arquitetos da redemocratização.
O chefe do Executivo se escorou em magistrados permeáveis a alianças no Judiciário para contornar dificuldades num Legislativo descrito como interesseiro e arisco.
A política perdeu tônus ao dedicar-se aos negócios e terceirizar funções a juízes com perfil político, o que aprofundou a deterioração de condutas.
21 anos — duração da ditadura que precedeu a promulgação da Constituição de 1988.