Justiça

Pesar só produtividade não basta: Judiciário precisa de índice de governança

Pesquisa cria iGov‑Jus para avaliar tribunais em cinco dimensões além da produção de decisões.

PRedação Política.NEWS27 de ago. de 2026, 10h04· 16 acessos
Pesar só produtividade não basta: Judiciário precisa de índice de governança
Reprodução: conjur.com.br

O Judiciário precisa de um Índice Amplo de Governança da Justiça (iGov‑Jus) para avaliar mais que produtividade.

O Brasil gastou R$ 146,5 bilhões em 2024 — cerca de 1,2% do PIB e R$ 690 por brasileiro — motivo para medir resultados institucionais além de decisões por magistrado.

A pesquisa que desenvolveu o iGov‑Jus foi feita por Marcelo Justus, Edimara Mezzomo Luciano e Bernardo Geraldini, com recursos do Instituto Convergência Brasil, e parte da pergunta: como medir desempenho dos tribunais?

O iGov‑Jus combina cinco dimensões: eficiência/produtividade (IPC‑Jus ajustado à população atendida), transparência institucional, governança e maturidade tecnológica, eficiência do acesso e gestão da demanda judicial, e eficiência da gestão do fluxo processual.

O Conselho Nacional de Justiça ampliou a produção de dados judiciais nas últimas décadas, permitindo hoje informações sobre processos, produtividade, congestionamento, despesas e estrutura do Judiciário.

Quando as cinco dimensões são consideradas, a classificação dos tribunais muda: em 2024 Santa Catarina sobe de 11ª no IPC‑Jus para 1ª no iGov‑Jus; São Paulo avança da 23ª para a 11ª; Amapá cai de 1º no IPC‑Jus para 10º no iGov‑Jus; Distrito Federal recua da 4ª para a 16ª.

A pesquisa mostra também que despesas por habitante não explicam tudo: tribunais com gastos semelhantes têm desempenhos muito distintos no iGov‑Jus, e o Distrito Federal tem alta despesa por habitante mas posição intermediária no índice.

Os autores defendem que medir apenas quantidade de decisões orienta metas e incentivos; incluir transparência, tecnologia, gestão da demanda e eficiência processual muda prioridades administrativas.

O estudo é primeira formulação: precisa de testes adicionais, acompanhamento temporal, análises de sensibilidade e aperfeiçoamento dos componentes; o resultado será debatido no Ciclo de Debates Convergência para o Brasil.

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